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Matérias Especiais sobre o mundo dos Negócios
Eric Hobsbawm: “Sobre a Guerra de Gaza”.
Durante três semanas, a barbárie esteve à vista do público mundial, que olhou, avaliou e, com raras exceções, rejeitou as ações de terrorismo militar, por Israel, contra 1,5 milhão de seres humanos cercados, desde 2006, na Faixa de Gaza. Nunca antes as justificativas oficiais para a invasão de um país por outro foram mais patententemente refutadas por uma combinação de câmeras de televisão e aritmética; ou as notícias sobre ‘alvos militares’, pelas imagens de crianças ensanguentadas e de escolas em chamas.
13 baixas do lado israelense, 1.360 baixas do lado palestino: fácil ver que lado é vítima. Não há muito mais que tenha de ser dito, sobre a horrenda operação israelense em Gaza. Exceto no caso de que sejamos judeus.
Por causa da nossa longa e pouco precisa história de povo em diáspora, a nossa reação natural aos eventos públicos tem sempre incluído a pergunta: “E isso é bom ou é mau para os judeus?” No caso da guerra de Gaza, só há uma resposta possível, inequívoca: “Não é bom para os judeus. É mau para os judeus.”
É patentemente mau para os 5,5 milhões de judeus que vivem em Israel e nos territórios ocupados de 1967, cuja segurança fica ameaçada pelos atos de guerra que o governo de Israel empreendeu em Gaza e no Líbano. Esses atos de guerra manifestam a incapacidade do governo de Israel para perseguir seus objetivos declarados – e são atos que perpetuam e aprofundam o isolamento de Israel num Oriente Médio hostil.
Dado que o genocídio e a expulsão em massa de palestinos do que resta de seu território original não é item de qualquer agenda, tanto quando tampouco se visa a destruir o Estado de Israel, só a coexistência negociada de israelenses e palestinos, em termos igualitários entre os dois povos pode ser pensada como base de um futuro estável.
A cada nova aventura militar, como em Gaza e no Líbano, mais essa solução de conciliação vai-se tornando difícil e mais se reforça o poder da direita israelense e dos colonos fanáticos da Cisjordânia que jamais desejaram qualquer solução de conciliação.
Como já aconteceu na guerra do Líbano em 2006, o massacre de Gaza torna ainda mais sombrio o futuro de Israel. E também tornou mais sombrio o futuro dos nove milhões de judeus da diáspora. Não sejamos hipócritas: criticar Israel não implica qualquer antissemitismo.
As ações do governo de Isral cobrem de vergonha todos os judeus e, mais importante que isso, faz crescer o antissemitismo, no século 21. Desde 1945 os judeus, dentro e fora de Israel, beneficiaram-se muito da má consciência de um mundo ocidental que se recusou a receber migrantes judeus nos anos 30, antes de o mesmo ocidente ou cometer genocídio ou não lutar contra ele.
Quanto, dessa má consciência, que conseguiu eliminar virtualmente o antissemitismo ocidental por 60 anos e produziu uma era de ouro para a diáspora dos judeus, sobrevive hoje?
A Israel que ataca Gaza não é a Israel do povo vítima da história. Não é, sequer a “pequena valente Israel” da mitologia de 1948-67, um Davi enfrentando os Golias adjacentes.
Israel está deixando de fazer jus à boa-vontade do mundo, tão rapidamente quanto os EUA de Bush perderam o direito à boa-vontade do mundo – e por motivos muito semelhantes: nacionalismo cego e a megalomania do poderio militar.
O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus, como povo, são coisas evidentemente conectadas, mas, até que haja solução justa para a questão palestina, o que for bom para Israel será mau para os judeus. É assim, e não poderia ser diferente disso. É essencialmente importante que os judeus digam isso em todos os espaços e em todos os fóruns.
O livro mais recente de Eric Hobsbawm é Globalização, Democracia e Terrorismo, 2008, Companhia das Letras.
Publicado em London Review of Books, “LRB contributors react to events in Gaza”, 15/1/2009 http://www.lrb.co.uk/web/15/01/2009/mult04_.html . Traduzido por Caia Fittipaldi.
Da redação – VERMELHO, a esquerda bem informada.
A história de Naji Nahas
Blog ADVFN Brasil
Naji Robert Nahas é um empresário e investidor financeiro brasileiro nascido no Líbano. Chegou ao Brasil no começo da década de 1970 com cinqüenta milhões de dólares para investir e montou um conglomerado de empresas que incluía fábricas, fazendas de produção de coelhos, banco, seguradora e outros. Tornou-se nacionalmente conhecido depois de ter sido acusado como responsável pela quebra da bolsa de valores do Rio de Janeiro em 1989.
De acordo com reportagem da revista Veja, Nahas tomava emprestado de bancos e aplicava na bolsa, fazendo negócios consigo mesmo por meio de laranjas e corretores, inflando as cotações. Ante grandes valorizações de ações, os bancos pararam de lhe emprestar, causando quebra em cascata na bolsa do Rio, que nunca se recuperou totalmente. Após todos os processos referentes a este caso terem sido julgados, foi absolvido de todas as acusações.
A acusação que pesou contra Nahas arguia que a quebra da bolsa se deu devido a utilização de empréstimo de ações, pagas com empréstimos em bancos (entretanto negociava as ações (a pagar em D+N) e vendidas antes de pagá-las a um preço mais interessante. Este era um mecanismo corrente na época, utilizado por inúmeros grandes investidores. A quebra teria se dado devido ao corte nos financiamentos costumeiramente concedidos ao investidor, orquestrado pelo então presidente do Conselho Administrativo da Bovespa, Eduardo Rocha Azevedo, o “coxa”, para quebrar a Bolsa do Rio de Janeiro por meio da quebra do maior investidor pessoa física do País.
Segundo Nahas, a crise das bolsas de 1989 ocorreu por uma mudança nas regras de negociações de ações, mudança feita de maneira arbitrária e imediata pelo presidente da Bolsa, sob influência de investidores importantes que disputavam com Nahas posições de investimentos. Esta opinião foi compartilhada na época por vários economistas de peso como Delfim Netto, Mário Henrique Simonsen e outros que testemunharam a favor de Naji Nahas. Após poucas semanas, a bolsa voltou aos níveis anteriores à quebra, provando, segundo estes economistas, que tudo não passou de uma grande manipulação do mercado. Segundo a revista ISTOÉ Dinheiro, Nahas foi inocentado deste processo em 2004.
Fonte: Wikipedia
A história das opções: o que é e qual a sua origem
Por Filipe Deschamps em 13 de Janeiro, 2009
“Isto é coisa de louco, não vou mexer nunca com opções!” Tem certeza? As primeiras idéias que passam pela cabeça de um investidor quando o assunto envolve opções é quanto à imensa volatilidade deste mercado, sobre como os especuladores do mercado de derivativos são suicidas e uma hora ou outra irão perder dinheiro. Esta, sem sombra de dúvidas, é uma opinião geral do mercado e que dificilmente será alterada, o que acaba beneficiando quem realmente utiliza as opções com o seu propósito inicial: lucro e proteção, sem depender da variação do mercado.
Está um pouco confuso? Não tem problema, pois isto é normal tendo em vista que quando o assunto é opções, as pessoas aprendem tudo de trás para frente por um motivo que surge como abiogênese: a ganância.
As opções foram criadas para o investidor justamente fugir da volatilidade dos mercados, pois a princípio, não foram projetadas para especular o direito que elas lhe garantem, mas sim, usufruir dele.
O exemplo clássico utilizado para se explicar a história das opções é sobre a Crise das Tulipas (ou tulipomania), do século XVII na Holanda. Devido a alta volatilidade causada pelo frenesi comercial em torno desta planta, comerciantes protegiam suas negociações comprando opções sobre o preço das tulipas. Isto dava o direito ao portador da opção de comprar a tulipa pelo preço previamente acordado, não dependendo qual valor a tulipa atingiria ao longo do vencimento deste direito.
Em termos práticos:
- O mercado de tulipas está com alta volatilidade e o comerciante deseja definir no tempo presente, quanto poderá pagar pela planta, que atualmente está cotada em R$7,00.
- Com isto em mente, o comerciante define com o plantador que deseja fixar o preço da tulipa em R$10,00 por 30 dias, ou seja, daqui a 1 mês, o comerciante poderá adquirir a tulipa por R$10,00, mesmo que ela esteja custando R$1.000,00.
- O plantador vendo que, devido a volatilidade do mercado, daqui a 30 dias a planta poderá estar custando muito mais que R$10,00, define com o comerciante um preço a ser pago por esta negociação, pois simplesmente ele não dará este direito a ele de forma gratuita.
- O plantador então vende ao comerciante a opção de compra da tulipa por R$1,00.
Comentários:
- Não dependendo do que acontecer, o plantador irá ganhar os R$1,00 pela venda da opção, mesmo que a tulipa acabe sendo precificada em zero reais.
- O valor recebido pela venda da opção, é creditada no início da negociação, ou seja, antes mesmo de saber o que irá acontecer no futuro, o plantador já recebe o seu prêmio.
- O comerciante pagará R$1,00 não dependendo do que acontecer.
- O comerciante tem um direito (e não uma obrigação) de exercer a opção.
- O plantador tem a obrigação de entregar a tulipa, caso seja exercido pelo comerciante.
Possíveis acontecimentos:
- O preço da tulipa cai para R$5,00 (abaixo do valor do direito)
O comerciante não irá exercer o direito de comprar a tulipa por R$10,00, pois poderá comprar à vista no mercado por apenas R$10,00. O comerciante perde os R$1,00 do direito. O plantador continua com a tulipa em mãos e com o R$1,00 pago pelo comerciante. - O preço da tulipa sobe para R$40,00 (acima do valor do direito)
O comerciante irá exercer o direito de comprar a tulipa por R$10,00, pois poderá em seguida vender a mesma pelo valor de R$40,00. Esta operação irá lhe gerar um lucro de R$29,00 (R$10,00 pagos pela tulipa + R$1,00 contra a receita de R$40,00). O plantador deverá entregar a tulipa ao comerciante vendendo ela por R$10,00. O plantador gerou com isto uma receita de R$11,00.
Quem fez o melhor negócio e em qual caso?
É neste ponto que esbarramos na ganância, pois caso ela lhe cegue, você deixará de enxergar uma das mais promissoras estratégias a curto e longo prazo e partirá para operações de alto risco com opções.
No primeiro caso dos “Possíveis acontecimentos”, fica mais fácil saber quem fez um bom negócio, ou relativamente, um negócio que lhe gerou receita. Neste cenário, o comerciante desembolsou R$1,00 imaginando que a tulipa poderia custar mais do que o direito lhe garantia (R$10,00). Como não chegou, o direito dele virou pó, sem valor e sem sentido de se exercer. Ao final, ele não exerceu o direito e perdeu R$1,00. Analisando apenas receitas e despesas, este não foi um bom negócio. Já para o plantador, foi um bom negócio uma vez que embolsou R$1,00 e continuou com a tulipa em mãos. Com isto, ele poderá vender a tulipa mais para frente ou poderá lançar mais uma vez opções, embolsando assim um novo prêmio.
Já no segundo caso, a situação é mais delicada. A princípio, um investidor pensará que o comerciante teve uma vantagem muito maior do que o plantador, e de fato teve, mas isto não implica em dizer que o plantador teve alguma espécie de prejuízo. Pense que no início das negociações, a tulipa estava sendo negociada a R$7,00, então mesmo tendo que vender ela ao comerciante, conseguiu vender por R$10,00 (três reais acima do valor de mercado naquele momento) e ainda ganhou mais R$1,00 como prêmio.
A questão da ganância tem um impacto muito pesado nestas horas pois o investidor não irá gostar da situação de ficar com sua posição travada (fixar o preço de venda da tulipa em R$10,00) e não poder vender ela em um Topo Histórico das cotações. E de fato, não é a situação ideal… mas lhe pergunto: quantas vezes você já conseguiu atingir a situação ideal negociando ativos na bolsa de valores? Muitas vezes, vale mais a pena fixar no começo das negociações quanto exatamente você poderá ganhar e, independendo de onde o mercado ir, colocar um lucro no bolso e continuar com o ativo.
Mas isto deixarei para um próximo artigo, pois estaremos falando de Venda Coberta, uma operação fantástica que pode ser aplicada a curto e longo prazo.
Fonte: Blog AVFN – Filipe Deschamps
Os 10 dias que abalaram o Ibovespa !
Por Fernando Botti em 9 de Janeiro, 2009. Blog ADVFN Brasil
Talvez tão difícil em demonstrar como algo funciona, é esclarecer como não funciona! Dizem os historiadores que certa vez ao fracassar pela milésima vez na tentativa de criar lâmpada, resoluto, Thomas Edison disse: “Acabei de descobrir 1000 maneiras de como NÃO fazer uma lâmpada.”
Filosofaremos então sobre Índice Bovespa, (utilizei-o como exemplo, pela familiaridade, mas este estudo se aplica em qualquer ativo ou índice com livre formação de preços), já fazem décadas que utilizamos ferramentas como volatilidade média, risco presumido, estimativa anunciada entre outros nomes mais elegantes na tentativa de domar o futuro.
A base de todas essas ferramentas é a estatística padrão, médias, desvios, gaussianas (gráfico de sino), variância, enfim, resumindo, é tendência central e dispersão. Já nos primeiros artigos blog que escrevo apresentei argumentos que sustentavam que esse stablisment intelectual estava defasado, e que precisávamos concentrar nossos esforços em outros caminhos, caos, geometria fractal, distribuição de Pareto, trading systems, enfim, o caminho para uma real compreensão do mercado virá dessas áreas.
Hoje, mais de um ano depois, eu não só reafirmo essas posições, como apresentarei outros intrigantes argumentos, desmontando alguns mitos sobre como a nossa bolsa funciona, ou não funciona!

Acima observamos o gráfico Ibovespa Diário no decorrer de 10 anos (1999 até 2009 – 2.472 dias de negociação), até aqui sem muitas novidades, a não ser pela escala que adotei, um fator multiplicativo, ao invés da corriqueira pontuação, simplifiquei a medida com uma normalização que considera 06.01.1999 como marco inicial. Ou seja, comprando ações nesse ponto, você teria 2,5 vezes mais em março de 2000, 3x mais em setembro de 2006 e quase 7x mais em fevereiro de 2008, agora estaríamos muito próximo de 4 vezes (essa crise aí…).
Agora, com um exercício mental, vamos imaginar entre esses quase 2.500 dias, apenas 10 com as maiores variações positivas. Apenas 10 dias em 10 anos. Qual terá sido a contribuição desses dias para a atual configuração do Ibovespa?

Eis aqui o resultado. O Ibovespa 10P (10 Cut Profit) seria a face do Ibovespa removendo as 10 maiores contribuições positivas diárias. O diferença de retornos é imensa, hoje a bolsa estaria nos paratamares de 99. Mas, ainda sim, as finanças convencionais vêem esses saltos como meras anomalias.
Apenas 0,4% do total de dias foram responsáveis por essa diferença, variações que a análise estatística convencional (gaussiana) demonstra que só seriam possíveis de ocorrer em centenas de anos.
Fonte: Blog ADVFN Brasil
A Rede Nacional de Economia
02/01/2009
Blog O Economista
A transição para a sociedade da informação é, sem dúvida, o acontecimento que está revolucionando o século XXI. Não se trata de uma questão meramente tecnológica, como ainda acreditam alguns desavisados, pois o impacto das mudanças está afetando a organização da Economia e da Sociedade.
De acordo com Abraham Sicsu, “o elemento chave da dinâmica econômica da chamada ‘nova economia’ não é simplesmente a informação, ou o conhecimento codificado; depende de um complexo processo de aprendizagem, envolvendo a mobilização, por exemplo, no que se refere ao desenvolvimento, em base local, de um conjunto de atores sociais, a partir de arranjos institucionais para os quais é fundamental a ação das autoridades públicas e Universidades. A mobilização do conhecimento tácito exige a troca e o contato diretos entre os trabalhadores, intelectuais e, portanto, uma concentração espacial dos recursos humanos capazes de interagir, através de redes formais ou informais, articulando conhecimentos e unificando códigos”.
O surgimento de uma “cadeia do conhecimento” abrangendo o conjunto das universidades e outras instituições ligadas à produção científica e tecnológica articulada às atividades produtivas num mesmo espaço geográfico, foi considerado pelos autores do artigo citado como uma tendência necessária às políticas de desenvolvimento regional. Os autores mencionam ainda “a possibilidade de uma cadeia de conhecimento única, onde cada um de seus elos com o setor produtivo cria uma esfera pública setorial, constituída de indivíduos, trabalhadores intelectuais, que interagem num espaço comum de comunicação produtiva, mesclando as lógicas acadêmica, mercantil e pública”.
Certamente a maioria dos nossos colegas economistas, dentro de suas áreas de atuação específicas, utilizam os instrumentos tecnológicos disponíveis, interagindo em redes locais, regionais, nacionais ou internacionais.
Todavia, temas como Capitalismo Financeiro, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e as próprias transformações sócio econômicas geradas pelas TICs, que constituem o macro tema da Economia do Conhecimento, só para citar alguns exemplos, são elos externos às cadeias setoriais, locais ou regionais, mas determinantes para a construção de uma macro “Rede Nacional de Economia” ou um “Centro de Inteligência em Economia Nacional”. Uma rede que pode ampliar as formulações dos seus usuários através da troca de informações com redes específicas locais, setoriais, regionais, nacionais, internacionais.
Ao interagir com as redes, os profissionais têm a chance de estabelecer contatos, parcerias, divulgar, aperfeiçoar ou simplesmente, aprofundar o seu trabalho, potencializando seu conhecimento. Esta é a possibilidade que se abriu com a Economia do Conhecimento. O novo século que se inicia, traz uma mudança inimaginável.
Por outro lado, percebo nos colegas, muita preocupação com a redução da procura pelos cursos de Economia e, por outro lado, a percepção, pelos professores, da necessidade de adequação dos currículos, visto que o setor público, outrora um grande absorvedor de economistas, principalmente, para as atividades de Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas, está passando por uma reestruturação de eficiência, meramente administrativa, onde são priorizadas as técnicas de gestão e controle de resultados de curto prazo.
Enfim, com exceção dos notáveis ou daqueles que exercem funções compatíveis em alguns redutos ainda existentes no setor público ou em instituições de pesquisa públicas ou privadas, ou que já se estabeleceram como consultores, para a grande maioria, a profissão perdeu seu status, na medida em que muitas das atribuições que eram específicas do economista são hoje executadas por profissionais de diferentes áreas.
A proposta da criação de uma Rede Nacional de Economia oferece a possibilidade de valorizar o profissional economista e redefinir o futuro da profissão. A análise econômica é imprescindível para as discussões das políticas públicas ou de investimentos, já que os argumentos técnicos têm sua base de sustentação apenas após o estudo da sua viabilidade econômica. Nós mesmos estamos assistindo frequentemente, pela mídia, debates longuíssimos, desgastantes, que poderiam ser facilmente resolvidos à luz da racionalidade econômica.
Este período de transição para a sociedade da informação pode ser melhor aproveitado por nossa categoria. É preciso lembrar que somos poucos. O número de economistas é bem reduzido se comparado ao de outras profissões. Por isso, poucos economistas participam das discussões das comissões do congresso nacional ou das câmaras legislativas estaduais ou municipais ou mesmo de comitês regionais. Às vezes, economistas aparecem como convidados nestes lugares representando instituições públicas ou como palestrantes.
A oportunidade da troca de argumentos, formulações estratégicas através da rede, certamente funcionará como indutor de algumas adaptações curriculares, à medida que a Rede Nacional de Economia abrir campos para novas áreas de pesquisa mais sintonizadas com as necessidades do mundo real.
O estudante terá a oportunidade de vivenciar situações reais, em contato direto com profissionais atuantes, empresários, líderes de movimentos sociais, que irão lhe proporcionar maiores motivações para definir sua área de atuação. Certamente os estudantes também irão se interessar em ajudar no gerenciamento da rede, que pode vir a ser uma atividade extra curricular.
Uma Rede Nacional de Economia, se bem articulada, pode dar uma enorme projeção à categoria. Fica evidente que uma rede tão abrangente, mesclando as lógicas acadêmica, mercantil e pública, deve estar associada a uma instituição com a credibilidade do Conselho Federal de Economia e dos Conselhos Regionais de Economia.
Talvez os colegas ponderem sobre a complexidade dessa proposta. Concordo plenamente, trata-se de um projeto de grande envergadura. Mas a Economia é uma ciência social, por isso a sua amplitude. Gosto muito da frase que alguns colegas utilizam: “é uma profissão de múltiplas possibilidades”.
Por outro lado, a formação da rede é um trabalho que pode ser iniciado pouco a pouco, com partes de um dos macro temas. Não é necessário ter pressa porque estamos inaugurando uma nova era onde nós todos, querendo ou não, estaremos conectados todo o tempo.
Fonte: Cofecon: Alcione Ribeiro de Castro – Conselheira do CORECON-MG
SLW diz o que esperar da Bolsa em 2009
Portal Exame – Guia do Investidor/07-01-2009
Corretora aponta os setores mais atrativos e os mais arriscados do mercado
Portal EXAME
Volatilidade. Essa é a palavra que melhor deve definir o mercado acionário brasileiro em 2009. Em meio a uma crise de proporção mundial e diante de uma série de eventos que podem alterar abruptamente os rumos da economia global, prever o desempenho das ações tornou-se tarefa árdua. “Há que se ter em mente que os riscos do cenário de curto prazo ainda são elevados. Assim como temos esperança de que as medidas anunciadas até aqui e as que serão colocadas em prática surtirão efeito positivo, também pode ser que estejamos errados”, pondera a corretora SLW em relatório. “O mundo corporativo ainda convive com uma liquidez mais apertada e enfrenta uma confiança do consumidor em níveis baixíssimos, o que o afasta das compras e faz as empresas postergarem investimentos.”
No curto prazo, diz a SLW, todos os setores apresentam pontos negativos. “No entanto, muitos deles também possuem dados positivos, que justificam um posicionamento nos mesmos”, complementa. Na avaliação da corretora, os setores mais atrativos são varejo, transporte aéreo, concessões, bancos, energia elétrica, bebidas e fumo, enquanto os mais arriscado são mineração, siderurgia, petróleo, petroquímica, implementos automotivos, papel e celulose. Veja abaixo as expectativas para cada setor.
Mineração: a redução na demanda mundial por minério, em especial na da China, deve provocar uma queda de 15% nos preços em 2009. O impacto nos resultados da Vale já deve ser verificado nos balanços do quarto trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009. Por outro lado, a companhia deve registrar um ganho financeiro devido à valorização do dólar no período. Para a SLW, a crise enfraquecerá muitas empresas do setor, mas fortalecerá a Vale, dando-lhe condições para liderar um processo de consolidação que deve acontecer brevemente. Por isso, a corretora recomenda a compra de ações da empresa por investidores que têm objetivos de longo prazo.
Siderurgia: a crise deve atingir de forma diferente as três maiores empresas do setor. Enquanto a Gerdau comercializa aços longos (destinados principalmente à construção civil) no Brasil e na América do Norte, a CSN e a Usiminas operam aços planos (utilizados em veículos e linha branca), com maior exposição no mercado interno. Todas devem sentir os efeitos da redução das vendas nos últimos meses, mas a expectativa é de que haja uma recuperação a partir do segundo trimestre. No caso da Gerdau, espera-se que o pacote de ajuda de 700 bilhões de dólares que será lançado no Estados Unidos tenha reflexo positivo sobre os papéis, já que será focado em infra-estrutura. Já no mercado interno, as medidas do governo para incentivar as vendas de veículos devem beneficiar as ações de Usiminas e CSN.
Implementos automotivos: a retração no crédito freou o setor, que vinha registrando recordes seguidos de vendas. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos deve contribuir para uma melhora nas vendas, mas a expectativa é de que a crise ainda afete por mais algum tempo as metalúrgicas, empresas de autopeças e de implementos rodoviários e ferroviários. Para a SLW, a Randon deve ser a companhia menos afetada pela crise no setor, devido ao fato de ser líder no Brasil e na América Latina nos segmentos de reboque e semi-reboque, vagões, veículos especiais, autopeças e serviços.
Papel e celulose: os preços devem continuar caindo nos próximos meses, testando uma acomodação no segundo trimestre de 2009, quando se imagina que algumas economias já estejam sendo influenciadas positivamente pelos diferentes pacotes de estímulo que estão sendo anunciados. As ações de Klabin e Suzano são consideradas as melhores opções no curto prazo. Para os investidores que desejam aplicar na empresa que pode surgir da união da VCP com a Aracruz, a melhor opção a longo prazo, segundo a SLW, é a VCP.
Energia elétrica: mesmo diante de um cenário de redução de crescimento, o setor é tido como um dos mais atrativos da Bolsa, já que sua receita é derivada totalmente do mercado interno. As empresas, de acordo com a SLW, estão bem estruturadas financeiramente, com baixa exposição à variação cambial e, na maioria dos casos, sem dívidas de curto prazo. Além disso, são boas pagadoras de dividendos. As companhias recomendadas pela SLW são: Terna, Eletrobrás, Cesp, Tractebel, AES Tietê, Light, Coelce, Cemig, Copel e CPFL.
Bancos: as ações do setor caíram cerca de 50% com a crise, mas os resultados dos bancos brasileiros pouco foram afetados. Para 2009, é esperada uma desaceleração no crescimento do crédito, para cerca de 15%, percentual considerado bom tendo em vista a inadimplência pouco maior e spreads (diferença entre a taxa paga pelos bancos na captação de recursos e a cobrada dos clientes nos empréstimos) elevados. A SLW recomenda as ações de Itaú, Bradesco e Unibanco.
Transporte aéreo: a expectativa de desaceleração na demanda e a valorização do dólar, que eleva os custos das empresas, deve impactar negativamente as ações das empresas do setor. Por outro lado, a queda no preço do petróleo deve aliviar as pressões sobre o setor. A SLW vê perspectiva de melhora no resultado operacional da Gol em 2009 e piora no da TAM, que deve sofrer com a liberação de preços de passagens aéreas para destinos internacionais e com as operações de hedge (proteção) para combustível a preços acima dos praticados no mercado.
Aviação: a Embraer deve passar por um período delicado de vendas, já que as companhias aéreas dependem de financiamentos para a compra de aviões e ainda há restrições para a tomada de crédito no mercado internacional. Diante desse panorama, a Embraer poderá enfrentar cancelamentos de pedidos, tornando os investimentos nos papéis da empresa pouco atraentes.
Concessões rodoviárias: o setor é um dos mais estáveis em termos de receitas, mesmo com a esperada desaceleração no crescimento do tráfego em 2009. Para a SLW, a melhor opção do setor é a CCR.
Concessões ferroviárias: o freio no comércio de commodities colocou em xeque a capacidade da ALL de obter ganhos com a queda das atividades. Em 2005, a empresa mostrou que era capaz de elevar sua rentabilidade mesmo com a quebra da safra no Sul do país. Para a SLW, as ações da ALL, que acumularam mais de 50% de desvalorização em 2008, já refletem a piora no cenário. A expectativa para 2009 é de aumento de 9% nas exportações e preços mais estáveis. Por isso, a SLW recomenda a compra dos papéis da empresa.
Petroquímica: 2008 não foi bom para o setor e 2009 ainda não deve ser o ano da virada. A nafta, uma das principais matérias-primas do setor, subiu mais de 50%, espremendo as margens de lucro das empresas. A queda no preço do petróleo, embora abra espaço para um recuo no preço da nafta, não deve aliviar as contas das empresas, já que a crise provocou também uma retração na demanda. Por isso, a SLW recomenda manutenção dos papéis da Quattor e da Braskem.
Petróleo e gás: as recentes descobertas da Petrobras dobram as reservas brasileiras e colocam o país entre os maiores produtores de petróleo do mundo, tornando-se também um importante exportador. Entretanto, ninguém sabe ainda até que ponto a crise pode provocar desvalorização no preço do petróleo. Fica a dúvida: até que preço do petróleo torna-se viável a exploração a exploração do pré-sal? Além disso, o Banco Central sinalizou a possibilidade de reduzir o preço da gasolina numa tentativa de incentivar o consumo no país e minimizar os efeitos da crise, o que também poderá ter impacto negativo sobre a Petrobras. A companhia cancelou em dezembro o anúncio de seu plano de negócios para o período de 2009 a 2013, alegando necessidade de revisão de estudos em decorrência da crise. No segmento de gás, o maior risco enfrentado pela Petrobras é a dependência da Bolívia, mas a empresa vem aumentando seus investimentos para minimizar essa dependência. A crise, entretanto, deve reduzir a atividade industrial e, consequentemente, o consumo, prejudicando também os papéis da Comgás. As perdas devem ser parcialmente recompensadas pelo reajuste feito em dezembro e pelo próximo aumento, que virá em maio. Na avaliação da SLW, os papéis do setor são muito arriscados para o curto prazo, mas interessantes para o longo prazo. A expectativa é de melhora no cenário internacional com a chegada de Barack Obama à Casa Branca e, caso isso se concretize, as ações de empresas ligadas a commodities serão as primeiras a se recuperar, diz a SLW.
Saneamento: o setor é menos suscetível à crise, já que as tarifas são reguladas e reajustadas anualmente e o serviço faz parte das necessidades básicas da população. Por isso, é considerado uma boa opção para investimento em tempos de turbulência. Na avaliação da SLW, as ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) são a melhor opção do setor, já que foram as que mais se desvalorizaram. Outro fator que leva a corretora a preferir as ações da Copasa é a possibilidade da Sabesp adquirir a EMAE, empresa geradora de energia que não é rentável.
Alimentos: o setor também deve ser pouco afetado pela crise por fabricar produtos indispensáveis e ter menor dependência do crédito. A expectativa é de leve crescimento nas vendas em 2009, mas associado a uma pequena redução de preços. A queda nas commodities deve beneficiar o setor, uma vez que reduz os custos com milho e soja, principais componentes das rações para frangos e porcos. As matérias-primas representam mais de 20% dos custos das companhias. Para a SLW, as ações da Marfrig e da Perdigão serão os destaques do setor em 2009 devido à melhor posição financeira das companhias.
Bebidas e fumo: a demanda por cigarros é praticamente constante e não deve sofrer alterações em razão da crise. Além disso, há a possibilidade de forte expansão nas exportações devido ao câmbio favorável. O consumo de bebidas também não deve ser prejudicado enquanto forem mantidas as condições de trabalho e renda da população. A queda nas commodities deve melhorar as margens do setor. A SLW recomenda as ações da Souza Cruz e da Ambev.
Varejo: o crédito mais caro e escasso e a queda na confiança do consumidor tendem a impactar as vendas de bens duráveis e semiduráveis. Em contrapartida, as expectativas para as vendas de não duráveis é de crescimento entre 3% e 5% em 2009. Para a SLW, o Pão de Açúcar e as Lojas Americanas devem apresentar um bom desempenho no ano, já que trabalham com produtos que não dependem de financiamento. A expectativa para B2W e Lojas Renner também são boas, já que são empresas bem administradas e que tiveram grande desvalorização em suas ações no ano passado.
Telecomunicações: a melhor opção do setor, segundo a SLW, é a Vivo. A empresa vem conseguindo melhor suas margens de lucro e sua eficiência após a compra da Telemig. Após a compra da Brasil Telecom pela Oi, entretanto, são aguardadas mudanças no setor e novas fusões e aquisições. Para a SLW, as próximas movimentações devem envolver a Telefônica, que poderá unir a Telesp Operacional à Vivo ou à TIM. A corretora recomenda a compra dos papéis da Telesp Operacional assim como os ordinários (ON) da Tele Norte Leste Participações.
Açúcar e álcool: as perspectivas para o setor ainda são desfavoráveis. A falta de crédito deve dificultar a compra de insumos e o pagamento de mão-de-obra, o que poderá acarretar em atrasos nas operações e cancelamento de investimentos. O maior risco, entretanto, deve-se à queda do petróleo, que pode levar a uma redução nos preços da gasolina e do diesel, reduzindo a competitividade do etanol.