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Emir Sader: Duas trajetórias distintas

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Em que mãos você gostaria que estivesse o Brasil? Qual o verdadeiro diploma que cada um tem e que conta para construir um país justo, soberano e humanista? Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas – de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.

 No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período. Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores. José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE. Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola. No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito. No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade. Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida. Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar. No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela e o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que sequestrada, desaparecia, fuzilava, torturava. Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil. Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?

Escrito por goaa

Outubro 1, 2009 em 9:51 am

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As medidas do Governo que fizeram a marolinha passar devagar.

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Com a saída da recessão técnica, o Brasil caminha novamente para o desenvolvimento crescente que o segurou nessa última década.

1 – O pacote anti-crise do governo federal ultrapassou a marca dos 200 bilhões de reais, constituindo a maior intervenção oficial de estímulo econômico da história brasileira.

2 – Em 2009, o BNDES tem R$ 76 bilhões a mais para emprestar do que em 2008, quando emprestou R$ 92 bilhões, perfazendo quase 170 bilhões de reais neste ano.

3 – O governo também usou as reservas internacionais em dólar para emprestar cerca de R$ 50 bilhões a empresas com dívidas em moeda estrangeira.

4 – Desde setembro do ano passado, a liberação pelo governo do recolhimento compulsório dos depósitos à vista nos bancos foi da ordem de R$ 85 bilhões.

5 – O Banco Central também passou a emprestar a exportadores a fim de suprir a ausência dos recursos que eles obtinham no exterior para financiar suas operações.

6 – No auge da crise, o governo postergou o recolhimento dos impostos pelas empresas, de forma a aliviar seus fluxos de caixa.

7 – Os impostos sobre operações financeiras foram reduzidos de forma a baratear o crédito.

8 – Reduziu-se o IPI de carros, motocicletas, caminhões, eletrodomésticos e de material de construção.

9 – Lançou-se um programa governamental de construção ou financiamento de moradias que movimentou o mercado da construção civil.

10 – Foram abertas fartas linhas de crédito governamental para a agricultura.

11- Bancos oficiais assumiram a dianteira nas quedas dos spreads e das taxas de juro, o que já fez com que a oferta de crédito retornasse rapidamente aos níveis pré-crise.

12 – Foi feito um plano de repactuação de dívidas dos municípios com a União que lhes permitiu contrair novos empréstimos dos cofres federais.

13 – A taxa básica de juros da economia (Selic) foi reduzida ao mais baixo patamar em décadas.

Querendo ou não, a marolinha referida passou, pesando às vezes e outras não, alimentando oportunidades e reerguendo o país da recessão. Com o avanço de 1,9% do PIB no segundo trimestre, o Brasil encara as famosas ondas liberais acompanhadas por uma mídia corrompida de más intensões com a figura do Estado. Enquanto vacinas assim eram estabelecidas, a mídia se opunha à maioria das medidas acima repercutindo a oposição, que pregava redução de gastos governamentais.

“Imaginem vocês o que aconteceria se o Brasil tivesse cometido o erro de eleger um tucano presidente em 2006. A esta hora, estaríamos amargando o mesmo que estão aqueles que enveredaram de cabeça pelos velhos caminhos neoliberais.” – Eduardo Guimarães, no cidadania.com

Fonte: Vermelho.org 

PACHECO,R.O

Escrito por goaa

Setembro 14, 2009 em 3:38 pm

Publicado em Economia, Negócios, Política

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Aumento do salário mínimo em 2010

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Se por um lado é visto como uma inclusão das classes baixas, por outro lado, o aumento do salário mínimo combinado a outros fatores, causa aumento na inflação.

Por mais que a receita sinta seu pela diminuição no arrecadamento dos tributos em 2009, diante aos incetivos fiscais em alguns setores (automobilístico, linha branca, construção civil…), o número de dinheiro movimentado e arrecadado pelo governo sempre foi volumoso nesses últimos anos.

A bonança praticada pelo estado nestes últimos tempos foi ocasionado pela postura do governo atual junto com o favorecimento do crédito fácil, principalmente no exterior. É inegável que essa mistura causou um puta estrago na economia mundial, coisa que até então estamos sentindo, principalmente por se tratar de questões onde praticava-se muita especulação em ativos e/ou em títulos mobiliários. 

Sobre o salário mínimo, à essa bonança, veio a formidável onda de desenvolvimento.  Contudo, a burocracia que tanto se mostrou necessária nessa crise diante de um sistema financeiro fortíssimo, como o brasileiro, segurou alguns avanços que poderiam ter acontecidos.

Para este ano, foi ‘reservado’ cerca de R$22 bilhões para o PAC sendo que nem R$4 bilhões foi efetivamente usado.  Esse gasto programado pode ser entendido como investimento, desde que colocado em prática. Porém, como pode ser visto, nem um terço do valor foi posto de operação. Esse gasto todo gera a tal da inflação, pois com o aumento das despesas de forma irracional, promove o desequilibrio nas contas publicas, por exemplo. Por enquanto não chegamos ao ponto de gastar mais que recolhemos, porém o caminho já está traçado e não falta muito para este ponto. A nível de curiosidade, o salário mínimo passaria a valer cerca de R$506.

Juntando todo esse gasto mal administrado, colocado somente em despesas mesmo, e não em investimentos, o governo acumulará um baita déficit se não mudar a postura. O proprio aumento do salário minimo, em ano pré eleitoral, caracteriza o desenfreado gasto da maquina em contas desnecessárias. Estou curioso para saber a postura do próximo governo, o qual tudo indica que será da oposição, sobre os gastos e investimentos. Qual seria a postura da possível junção dos democratas e tucanistas sobre questões de infra estruturas por parte do investimento popular?  Tudo á base da privatização ocultado os interesses públicos?

 

PACHECO, RO.

Escrito por goaa

Setembro 1, 2009 em 5:27 pm

Publicado em Economia, Política

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Estudem os golpes midiáticos. Eles virão em 2010?

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por Luiz Carlos Azenha

De original o Brasil só inventou a jabuticaba. O resto quase tudo vem de fora. Especialmente as grandes idéias dos marqueteiros políticos. A inspiração deles tem origem clara: os Estados Unidos.

Em quarenta anos de profissão, nunca vi a mídia tão partidarizada. Jamais. Jamais testemunhei um fenômeno como o de Lina Vieira: a mídia martela uma tese e simplesmente descarta todas as outras que possam contradizer aquela tese. Uma tese bancada por Agripino Maia. Uma tese que tem o objetivo de carimbar Dilma Rousseff como “mentirosa”. Que faz parte da campanha para demonizar a candidata do governo. Que, em minha opinião, obedece a uma campanha milimetricamente traçada por marqueteiros de José Serra e executada por prespostos dos Civita, Marinho, Frias e Mesquita.

Onde estava Lina Vieira na tarde do dia 19 de dezembro? Dentro de um avião, voando para Natal. E Dilma? Depois de reuniões em Brasília, também viajou. Se não foi naquele dia o suposto encontro entre a ex-secretária da Receira Federal e a ministra, quando foi? Baixou um silencio espetacular nos jornais, nas rádios e nas telas da TV. Um silencio ensurdecedor.

[Para quem estava em outro planeta, no encontro a ex-secretária disse que Dilma Rousseff pediu a ela que interferisse indevidamente em uma ação da Receita Federal contra o filho do presidente do Senado, José Sarney. A ministra nega o encontro.]

Depois de oito anos distante do poder federal, a UDN vai usar todas as ferramentas a seu dispor para reconquistar o Planalto em 2010. É o pré-sal, estúpido! São bilhões e bilhões de dólares que permitirão a quem estiver no poder investimentos como há muito tempo não vemos no Brasil. E há gigantescos interesses externos já expressos, ainda que delicadamente, no debate sobre a exploração do pré-sal.

O consórcio DEM-PSDB vai tentar barrar as tentativas do governo Lula de aumentar a participação da União na exploração do petróleo. Vai fazer isso, sem assumir, em defesa dos interesses das grandes petroleiras internacionais, que correm desesperadamente em busca de reservas exploráveis.

Aqui você pode ler, em inglês, um artigo sobre a crescente disputa entre estados e petrolíferas pelo controle dos lucros da exploração, que se aguçou depois que a produção mundial de petróleo atingiu o pico.

Não é por outro motivo que, através da mídia, esses interesses tentam enfraquecer a Petrobras. Tentam dizer que a Petrobras é incapaz de tocar o projeto.  Tentam dizer que a Petrobras ou o Brasil não tem dinheiro para fazer os investimentos necessários. Não é por acaso que a TV Globo assumiu a proposta do governo americano de uma “parceria”: eles nos ajudam a explorar o pré-sal E nos vendem armas. É como aquela famosa piada da troca de casais. Nós entramos duas vezes como “doadores”. Doamos o petróleo E pagamos pelas armas.

Não é por caso que, em duas reportagens recentes, tanto o jornal New York Times quanto a revista britânica The Economist lançaram dúvidas sobre o futuro da exploração do pré-sal. O repórter Alex Barrionuevo, do Times, usou em seu texto palavras que acionam o botão de ojeriza do típico leitor americano: falou em “nacionalismo” e disse que uma suposta onda de “nacionalismo” no Brasil, agora, é comparável à dos tempos da ditadura militar.

Mas ele, por ignorância ou má fé, se esqueceu de dizer que a decisão correta de investir na exploração de petróleo em águas profundas, tomada durante o regime militar, é que permitiu à Petrobras o sucesso de agora. Ou seja, um exemplo de uma decisão “nacionalista” que deu resultado. Barrionuevo deu conotação negativa a “nacionalismo”. Pelo simples fato de que “nacionalismo” só interessa aos americanos quando representa a defesa dos interesses dos Estados Unidos.

 

Dito isso, é bom se precaver. Como?

Estudando o uso de pesquisas que foi feito durante várias campanhas políticas recentes. O episódio mais descarado aconteceu na Venezuela.

Estudando os golpes eleitorais que permitiram a George W. Bush se eleger em 2000 depois de uma forcinha da Suprema Corte. Estudando os sofisticados golpes eleitorais aplicados pelos republicanos em 2000, na Flórida, e em 2004, em Ohio.

O melhor investigador do que se passou na Flórida é o repórter Greg Palast.

O melhor investigador do que se passou em Ohio é o deputado John Conyers Jr.

Eu tenho todos os livros a respeito, mas não vou emprestar. Ninguem devolve livro no Brasil.

Mas você pode comprar vários deles na Amazon, a começar do relatório oficial da comissão encabeçada pelo deputado Conyers.

Sugiro que assistam ao documentário Free For All, que resume as duas fraudes nos Estados Unidos.

Essas fraudes foram baseadas em truques sofisticados, como a supressão de blocos de eleitores. Por exemplo, com a colocação de um número menor de máquinas de votação em seções eleitorais onde se sabia que a maioria era de eleitores democratas — bairros de maioria negra, por exemplo.

Há suspeitas de fraude eletrônica.  E de que os republicanos tenham aplicado um arsenal de medidas administrativas e jurídicas com o objetivo de desestimular ou simplemente bloquear o voto de grupos majoritariamente democratas.

É importante ver o documentário A revolução não será televisionada, sobre o golpe midiático contra Hugo Chávez na Venezuela. Está aqui.

É importante ver o documentário Los Duenos de la Democracia, sobre a fraude eleitoral no México. Está aqui.

É importante ver o documentário Our brand is crisis, que fala sobre as táticas eleitorais empregadas por marqueteiros americanos para eleger Gonzalo Sanchez de Lozada presidente da Bolívia (ascendeu ao poder com apoio americano e pretendia implantar um projeto pelo qual o gás boliviano seria exportado por navios para os Estados Unidos, a partir de um terminal no Chile).

Finalmente, é preciso estudar todas as ações do National Endownment for Democracy, o NED, uma instituição bipartidária dos Estados Unidos, bancada com dinheiro público, que “promove a democracia” no mundo através de ações de engajamento da sociedade civil. O NED foi criado no governo de Ronald Reagan, em 1983, para fazer, abertamente, o que a CIA fazia antes na clandestinidade.

O NED estimula o uso de todas as ferramentas eletrônicas modernas — SMS, internet, twitter — para a mobilização popular, especialmente de jovens, considerando que os jovens têm menor conhecimento histórico, são mais voláteis e são mais suscetíveis à influência da cultura americana.

O NED teve um papel importante em algumas “revoluções” no Leste europeu, notadamente na derrubada de Slobodan Milosevic na extinta Iugoslávia, em 2000; na Revolução das Rosas, na Geórgia, em 2003; na Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2005, e na Revolução das Tulipas, no Quirguistão, em 2005.

Nesses e em outros casos jovens ativistas estudantis foram mobilizados com slogans e símbolos simples e diretos (Resistência! na extinta Iugoslávia, É Hora na Ucrânia), atuando especialmente antes ou depois de eleições, em manifestações de rua durante crises eleitorais.

O Instituto Nacional Republicano (IRI) e o National Democratic Institute (NDI) são os braços dos dois principais partidos americanos encarregados de “promover a democracia” no mundo, ou seja, de treinar e promover jovens líderes partidários que sejam “amigáveis” aos interesses de Washington. Tanto o IRI como o NDI integram o NED. Foi uma forma de garantir no Congresso americano a aprovação de todas as verbas que o NED achar necessárias para “promover a democracia” no mundo, sempre em parceria com entidades locais da sociedade civil. Também fazem parte do NED uma entidade de empresários, o Center for International Private Enterprise, e outra ligada a sindicatos, o Solidarity Center.

O Brasil tem uma sociedade civil suficientemente informada para não cair em contos do vigário. Mas nunca é demais ficar alerta. Afinal, suspeitas do passado se confirmaram: havia ouro de Moscou; houve ajuda política e militar dos Estados Unidos ao golpe de 1964; houve estímulo dos Estados Unidos ao golpe que derrubou Hugo Chávez na Venezuela, para lembrar apenas de casos marcantes.

O caso clássico, na Venezuela, no referendo de 2004, funcionou assim: pesquisa de boca-de-urna, divulgada antes do início das apurações, dava como certa a derrota de Hugo Chávez, por ampla margem (59% contra Chávez, 41% pela permanência dele no poder). O que abria caminho para dois movimentos: fraude na apuração ou, em caso de vitória de Chávez, a denúncia de que ele teria fraudado o resultado. E manifestações de rua. E protestos internacionais.

Qual foi o resultado da contagem de votos? Chávez teve 59% contra 41%! A oposição, obviamente, gritou fraude. E tentou organizar protestos de rua. Mas os observadores internacionais atestaram a lisura do referendo. E Chávez sobreviveu.

Como costuma dizer a Conceição Lemes, a melhor vacina contra a desinformação é a informação. Vacine-se!

Escrito por goaa

Agosto 24, 2009 em 7:58 am

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O império contra-ataca

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Parece que estamos voltando no tempo. Entre novas ameaças de epidemias e caos financeiros, estamos assistindo outra vez mais um capítulo da desgraçera que é a política pública nacional. Uma nova peste negra? Um novo crash de 1929? Um novo governo com velhas caras? Sarney e cia aprontando as suas denovo.

Em meus poucos anos de vida e outros poucos de interesse político, acho eu que nunca tinha ouvido falar tanta falcatrua política e administrativa em um Governo só. A figura ‘esquerdista’, hoje praticamente fantasiada e sem sentido/desgastada, fez do partido dos trabalhadores o principal intermediário entre a falta de controle e de ética. Sabemos que problemas com nossos parlamentares não são de hoje. Todos os Governos já tiveram os seus casos e acasos. Mas em dois mandatos como presidente da república, acho que nunca um Presidente ouviu tanto como Lula.

Para mais de um mês, corre pela imprensa nacional supostos casos de sonegação fiscal por parte da Estatal Petrobras. Esse caso gerou um baita nevoeiro no senado e na câmara, que por fim acharam que deveriam abrir uma comissão de inquerito parlamentar, ou, CPI. Mas quais seriam os reias motivos por trás desta onda em investigar uma estatal, capaz de movimentar bilhões por ano e ter em mãos uma das maiores riquezas do país? Será esses dois motivos suficientes?

Há o jogo da oposição em comprometer a figura do governo, mais uma vez, jogando rios de acusações na sua maior e principal fonte de empreendimento.

O brasileiro se identifica com a Petrobras. Os inquisidores da empresa correm o risco de serem tachados de entreguistas, de prejudicarem a empresa e, portanto, a imagem do Brasil no Exterior. É óbvio que o PSDB pretende usar a CPI para fazer barganha política nos bastidores, especialmente agora que estão em discussão as regras para a exploração do pré-sal. Em relação a 2010, não há nada mais poderoso do que acusar os tucanos de buscarem a privatização da Petrobras. No segundo turno de 2006, lembram-se? Lula, acusado de desperdício por ter comprado um avião presidencial novo, passou a dizer que Alckmin pretendia privatizar “até o avião da Presidência”.

Diante deste alvoroço todo, surge então a nomeação de José Sarney para a presidência do Senado Federal. Com muitos contras e certos prós, Sarney é a marca da evolução negativa em que se encontra o poder público brasileiro no momento. Com todo o respeito ao povo nordestino, mas ultimamente estão nos apresentando muita gente mal intensionada. É Sarney de volta. Collor também. Severinos e Ciros Gomes da vida. ACMs então nem se fala.

Com uma grande onda de opositores de um lado e uma mídia corrompida às vésperas de um ano eleitoral,  mais do que nunca Brasília está em chamas. Agora é Sarney, com apoio de Lula, sendo acusado e investigado. A Petrobras sendo usada como desvio de atenções na casa. E o tiroteio continua.

Sarney, que em tempos pós ditadura, na mesma época em que foi presidente, foi um dos inimigos de Lula e vice e versa. Agora, Lula se vê encrusilhado à defender Sarney para que o caos no plenário já termine em mais um escândalo enorme. Já basta a Petrobras, agora Lula não quer ver a bancada do senado com mais uma confusão. Também, antes de Sarney, Severino Cavalcante já aprontava as suas. O que seria diferente agora? Estamos muito bem de representantes…

Sarney é acusado de desvio de verbas, repassadas pela própria Petrobras, em uma assossiação beneficiente. Os recursos foram liberados com base na Lei Rouanet, que dá incentivos fiscais a quem investe em projetos culturais. A associação recebeu pelo menos R$ 3 milhões de estatais, e há outros projetos em análise. A Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, fundada e controlada pela família Sarney, ainda se beneficia de patrocínio estatal e repasse de incentivos fiscais.

Para escapar ainda das acusações, ou até mesmo desviar as atenções constantes, Sarney avisa que a CPI da Petrobras começará nesta Terça-feira próxima. A vontade de apurar alguma coisa da estatal passa longe. “Tanto ele (Sarney) como o governo contam com o recesso parlamentar, daqui a uma semana, para esfriar a temperatura da crise”, diz o Estadão. A base aliada julgou que, se não fosse aberta a CPI, o DEM e o PSDB não aceitariam votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Congresso não entraria em recesso na semana que vem. Pode ser um alívio para Sarney, mas temporário.

Os escândalos não são poucos e, já não bastasse a repercussão nacional, agora essa zona toda começa a ter dimensões externas. A série de escândalos no Senado chamou a atenção da prestigiada revista britânica The Economist, com uma reportagem cujo ácido título é “Casa dos horrores”. A publicação ainda zomba ao dizer que os parlamentares britânicos poderiam aprender com os colegas brasileiros – recentemente, o Parlamento de lá sofreu uma crise por conta de uso de dinheiro público para gastos supérfluos.

A revista se refere a José Sarney como um “sobrevivente” depois de tantas denúncias, citando a mansão de R$ 4 milhões não-declarada e, é claro, os atos secretos. E dá uma estocada em Lula. “Os escândalos fazem os brasileiros se lembrarem dos defeitos de alguns aliados de Lula, e da disposição dele de fechar os olhos para a crise quando lhe convém.”

Sinceramente, a figura do PT em tempos atuais já passou de ser aquela fantasia de mudança e prosperidade popular e trabalhadora que sempre correu junto à estrala solitária. Hoje não se vê mais isso. Nenhum partido neste país se vê como revolucionário ou capaz de promover algo que realmente mude as diretrizes dessa desordem toda. Vivemos submissos às essas figuras que, ao passar de longos anos, voltam e ainda continuam a ser noticiados da forma negativa. Nada justifica a ausência da pressão popular por mudança. O conformismo já faz parte da cultura pública deste país. Parece que só em anos de competições esportivas esse povo se diz patriota. Ao passo que a desgraça pública corroe toda a esperança da boa conduta ética na política, o brasileiro segue sua vida com suas prestações e empréstimos bancários absurdos, sendo que nada possa fazer a não ser se conformar e deixar o circo pegar fogo.

PACHECO, R.O.

Escrito por goaa

Julho 11, 2009 em 11:09 am

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