Arquivo de Autor
EUA: 77 bancos já fecharam as portas este ano
A crise bancária nos Estados Unidos entrou em nova fase, marcada pelo fechamento de bancos menores e regionais, entubados de grandes quantias de empréstimos e títulos tóxicos comprados de outros bancos, afirmou o Wall Street Journal.
Este ano até agosto, 77 bancos dos EUA foram fechados, na taxa mais acelerada desde 1992, segundo o jornal. E analistas prevêem que esse número aumentará.
Cerca de 20% dos bancos tiveram prejuízo no primeiro trimestre, segundo dados mais recentes da Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC).
E os problemas estão se espalhando para as pequenas e médias instituições.
Quinta-feira à noite, o Guaranty Financial Group estava para ser fechado, no 10º maior colapso de um banco na história dos EUA.
E o banco de Texas ultimava a venda para o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA, da Espanha.
Os problemas do Guaranty derivaram de um portfólio lotado de títulos criados pelo agrupamento de hipotecas originadas por alguns dos piores credores do país.
Ele é um dos milhares de bancos que investiram em tais títulos, que costumavam ter rating elevado por parte das agências de classificação de risco, apesar de dependerem da saúde da fragilizada indústria de hipotecas e das instituições financeiras.
“Na maioria dos cenários, eram investimentos bons e prudentes — desde que não houvesse uma crise bancária ou imobiliária”, afirmou John Stein, presidente da FSI Group LLC, uma empresa de Cincinnati que investe em instituições financeiras.
O espectro do colapso do sistema bancário persiste, apesar de o governo já ter torrado US$ 250 bilhões apenas em aporte de capital desde 2008, a maior parte para os grandes bancos.
Fonte: Blog O Outro Lado da Notícia
Desemprego menor
O desemprego no Brasil bateu a baixa recorde do ano em pleno tempo de crise. A força do mercado interno comprova a manutenção da produção brasileira.
Com grandes economias sofrendo, ainda que menos, com a crise financeira, o Brasil vai se mostrando cada vez mais preparado e menos atingido pelo furacão que vêm devastando muita gente desde 2008. Desde grandes corporações e grandes escalões de executivos, o principal afetado desta turbulência é o trabalhador. O cidadão sempre alimentou o mercado que acabou afundando por gente que se dizia capaz de mantê-lo funcionando.
Agora, a base desta mecânica toda que mantêm grandes ciclos econômicos, ou seja, a classe trabalhadora, vêm sentindo menos que o esperado ou talvez praticamente nada para quem vive um freio financeiro deste porte. A crise financeira que estabeleceu as teorias neoclássicas como frágeis nesta primeira década do século, já está perdendo suas forças e caminha para o desfecho à partir do ano que vem.
Em meio a esse contexto, o Brasil vêm se firmando como um bom local de investimentos, pelo menos por enquanto. Grandes fluxos de entrada de investimentos externos não param de entrar. As reservas nacionais já bateram um nove recorde chegando a 209 bilhões de dólares. Há novas filiais sendo montadas com multinacionais despejando dinheiro e desenvolvimento aqui. Empregos e oportunidades como consequência acabam sendo as principais vantagens para o brasileiro.
A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou em 8,1% em junho, o que indica queda em relação a maio (quando a taxa ficou em 8,8%). Trata-se da menor taxa desde dezembro, que havia sido de 6,8%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.
Na indústria, o aumento na oferta de vagas foi de 1,7% em relação a maio e em relação a junho de 2008, houve redução de 5%. Já na construção foi verificado um aumento de 1,1% sobre maio e de 1,2% sobre junho do ano passado.
Foram criadas 119.495 vagas com carteira assinada em junho, o quinto mês seguido de resultados positivos no emprego formal, de acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho.
O Brasil é o porto seguro para muita gente nesse mundo de crise e isso é inegável. Tanto que o poder de empreendimento sobre a crença da sustentação por conta do mercado interno é cada vez mais forte justamente por assegurar que a força do poder de comprar da população brasileira pode surtir mais positivamente comparado a outros países. O Brasil já superou, em atração de investimentos, a Rússia que sentiu bastante os efeitos da crise financeira.
PACHECO,R.O.
O império contra-ataca
Parece que estamos voltando no tempo. Entre novas ameaças de epidemias e caos financeiros, estamos assistindo outra vez mais um capítulo da desgraçera que é a política pública nacional. Uma nova peste negra? Um novo crash de 1929? Um novo governo com velhas caras? Sarney e cia aprontando as suas denovo.
Em meus poucos anos de vida e outros poucos de interesse político, acho eu que nunca tinha ouvido falar tanta falcatrua política e administrativa em um Governo só. A figura ‘esquerdista’, hoje praticamente fantasiada e sem sentido/desgastada, fez do partido dos trabalhadores o principal intermediário entre a falta de controle e de ética. Sabemos que problemas com nossos parlamentares não são de hoje. Todos os Governos já tiveram os seus casos e acasos. Mas em dois mandatos como presidente da república, acho que nunca um Presidente ouviu tanto como Lula.
Para mais de um mês, corre pela imprensa nacional supostos casos de sonegação fiscal por parte da Estatal Petrobras. Esse caso gerou um baita nevoeiro no senado e na câmara, que por fim acharam que deveriam abrir uma comissão de inquerito parlamentar, ou, CPI. Mas quais seriam os reias motivos por trás desta onda em investigar uma estatal, capaz de movimentar bilhões por ano e ter em mãos uma das maiores riquezas do país? Será esses dois motivos suficientes?
Há o jogo da oposição em comprometer a figura do governo, mais uma vez, jogando rios de acusações na sua maior e principal fonte de empreendimento.
O brasileiro se identifica com a Petrobras. Os inquisidores da empresa correm o risco de serem tachados de entreguistas, de prejudicarem a empresa e, portanto, a imagem do Brasil no Exterior. É óbvio que o PSDB pretende usar a CPI para fazer barganha política nos bastidores, especialmente agora que estão em discussão as regras para a exploração do pré-sal. Em relação a 2010, não há nada mais poderoso do que acusar os tucanos de buscarem a privatização da Petrobras. No segundo turno de 2006, lembram-se? Lula, acusado de desperdício por ter comprado um avião presidencial novo, passou a dizer que Alckmin pretendia privatizar “até o avião da Presidência”.
Diante deste alvoroço todo, surge então a nomeação de José Sarney para a presidência do Senado Federal. Com muitos contras e certos prós, Sarney é a marca da evolução negativa em que se encontra o poder público brasileiro no momento. Com todo o respeito ao povo nordestino, mas ultimamente estão nos apresentando muita gente mal intensionada. É Sarney de volta. Collor também. Severinos e Ciros Gomes da vida. ACMs então nem se fala.
Com uma grande onda de opositores de um lado e uma mídia corrompida às vésperas de um ano eleitoral, mais do que nunca Brasília está em chamas. Agora é Sarney, com apoio de Lula, sendo acusado e investigado. A Petrobras sendo usada como desvio de atenções na casa. E o tiroteio continua.
Sarney, que em tempos pós ditadura, na mesma época em que foi presidente, foi um dos inimigos de Lula e vice e versa. Agora, Lula se vê encrusilhado à defender Sarney para que o caos no plenário já termine em mais um escândalo enorme. Já basta a Petrobras, agora Lula não quer ver a bancada do senado com mais uma confusão. Também, antes de Sarney, Severino Cavalcante já aprontava as suas. O que seria diferente agora? Estamos muito bem de representantes…
Sarney é acusado de desvio de verbas, repassadas pela própria Petrobras, em uma assossiação beneficiente. Os recursos foram liberados com base na Lei Rouanet, que dá incentivos fiscais a quem investe em projetos culturais. A associação recebeu pelo menos R$ 3 milhões de estatais, e há outros projetos em análise. A Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, fundada e controlada pela família Sarney, ainda se beneficia de patrocínio estatal e repasse de incentivos fiscais.
Para escapar ainda das acusações, ou até mesmo desviar as atenções constantes, Sarney avisa que a CPI da Petrobras começará nesta Terça-feira próxima. A vontade de apurar alguma coisa da estatal passa longe. “Tanto ele (Sarney) como o governo contam com o recesso parlamentar, daqui a uma semana, para esfriar a temperatura da crise”, diz o Estadão. A base aliada julgou que, se não fosse aberta a CPI, o DEM e o PSDB não aceitariam votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Congresso não entraria em recesso na semana que vem. Pode ser um alívio para Sarney, mas temporário.
Os escândalos não são poucos e, já não bastasse a repercussão nacional, agora essa zona toda começa a ter dimensões externas. A série de escândalos no Senado chamou a atenção da prestigiada revista britânica The Economist, com uma reportagem cujo ácido título é “Casa dos horrores”. A publicação ainda zomba ao dizer que os parlamentares britânicos poderiam aprender com os colegas brasileiros – recentemente, o Parlamento de lá sofreu uma crise por conta de uso de dinheiro público para gastos supérfluos.
A revista se refere a José Sarney como um “sobrevivente” depois de tantas denúncias, citando a mansão de R$ 4 milhões não-declarada e, é claro, os atos secretos. E dá uma estocada em Lula. “Os escândalos fazem os brasileiros se lembrarem dos defeitos de alguns aliados de Lula, e da disposição dele de fechar os olhos para a crise quando lhe convém.”
Sinceramente, a figura do PT em tempos atuais já passou de ser aquela fantasia de mudança e prosperidade popular e trabalhadora que sempre correu junto à estrala solitária. Hoje não se vê mais isso. Nenhum partido neste país se vê como revolucionário ou capaz de promover algo que realmente mude as diretrizes dessa desordem toda. Vivemos submissos às essas figuras que, ao passar de longos anos, voltam e ainda continuam a ser noticiados da forma negativa. Nada justifica a ausência da pressão popular por mudança. O conformismo já faz parte da cultura pública deste país. Parece que só em anos de competições esportivas esse povo se diz patriota. Ao passo que a desgraça pública corroe toda a esperança da boa conduta ética na política, o brasileiro segue sua vida com suas prestações e empréstimos bancários absurdos, sendo que nada possa fazer a não ser se conformar e deixar o circo pegar fogo.
PACHECO, R.O.
OS TRUNFOS NACIONAIS
Seguindo os moldes do post anterior (É A HORA DO BRAZIL)
O Brasil sente a turbulência de maneira diferente, embora nenhum economista de respeito o veja de forma descolada do resto do planeta, num estado de prosperidade nirvânica, acima da crise.
Vários setores da economia nacional se ressentem e são obrigados a fazer ajustes, o que causa demissões e corte de investimentos. “Mas o Brasil oferece um conjunto de benefícios que não se encontra simultaneamente em outros países emergentes”, diz Otto Nogami, professor de ambiente econômico global da escola de negócios Ibmec São Paulo. “Temos bancos sólidos, inflação controlada, moeda relativamente estável, bolsa de valores organizada, governo democrático, grande mercado interno e expectativa de crescimento”, diz Nogami.
Só para comparar: a Rússia torrou mais de US$ 100 milhões de suas reservas e não conseguiu conter a desvalorização de sua moeda, o rublo, símbolo do outrora poder do Kremlin. A China ainda é um país comunista e, caso não contenha os efeitos da crise, pode sofrer distúrbios sociais. A Índia convive com níveis de miséria chocantes até para os padrões de países mais pobres. “As empresas levam tudo isso em consideração”, diz Nogami. “O Brasil ganha respeito como um lugar seguro dentro da tormenta.”
Para usar um termo global, o Brasil está hype – ou em alta, numa tradução livre do termo. Foi-se o tempo em que a vantagem competitiva mais ambicionada pelas multinacionais era a mão de obra barata. Hoje o que as empresas querem é um naco de um mercado portentoso que emergiu com o aumento do poder de compra das classes C e D. Tanto que, no final de março, o Banco Central revisou sua pesquisa com empresas sobre alocação de investimentos diretos estrangeiros na economia brasileira. Constatou que, em resposta à crise, os recursos externos vão privilegiar os setores voltados para o mercado interno, como alimentos e varejo.
Esse interesse das múltis pode ser medido pelo crescente trânsito de presidentes e vice-presidentes no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Há exemplos em diferentes setores.
O espanhol Luis Cantarell, vice-presidente da suíça Nestlé para as Américas, desembarcou em março. Sua agenda incluiu um passeio inusitado. Ele foi conhecer bairros carentes de São Paulo e ver de perto uma alternativa de negócio moldada para as peculiaridades de uma comunidade de recursos escassos. Nesses locais, microdistribuidores da marca abastecem vendedoras autônomas que trabalham pelo sistema de vendas porta a porta. A experiência, única no mundo, poderá ser replicada em outros países. Em 2006, quando foi lançada, restringia-se à capital paulista e contava com dez distribuidores e 800 vendedoras. Hoje há cerca de 140 microdistribuidores e 6 mil vendedoras em várias cidades da região Sudeste do país.
Vender para os mais pobres é um dos pilares da estratégia de crescimento da Nestlé no mundo, em função do avanço das economias emergentes. O mercado brasileiro é considerado pela matriz da empresa suíça uma espécie de laboratório de boas práticas nesse campo. O Norte e o Nordeste, por exemplo, regiões historicamente renegadas no mapa dos grandes negócios, funcionam hoje como eficientes termômetros do segmento de baixa renda.
Em 2004, a Nestlé do Brasil criou uma diretoria para essa porção do país e investiu cerca de R$ 30 milhões em campanhas de marketing. Os resultados superaram as expectativas. Uma fábrica inaugurada em 2007, em Feira de Santana, na Bahia, por exemplo, atingiu o limite de produção em apenas um ano e quatro meses de operação. Nesse momento, recebe R$ 50 milhões em investimento para ser triplicada. Vai empregar mais mil funcionários. “O Brasil será um dos mercados que impulsionarão o crescimento da companhia no futuro”, diz Cantarell.
PACHECO,R.O – Fonte: Época Negocios
É a hora do Brazil
Certo, o país não se descolou da crise global. Mas o que faz tantas multinacionais redobrarem suas apostas (e seus investimentos) no mercado brasileiro?
Respondem Wal-Mart, Tyson, Nestlé, DuPont, GM, Monsanto… o Brasil é enxergado como o queridinho do BRIC. Porém têm os riscos que podemos evitar que poderiam ameaçar essa atração. O executivo inglês Miles Young até então nunca se preocupou com o Brasil e no começo deste ano, nosso país foi o primeiro lugar de desembarque. Ele agora é presidente da agência de britânica de publicidade Ogilvy & Mather. Seu roteiro ainda inclui mais 15 países dos 120 onde a Ogilvy mantém escritórios.
A escolha do Brasil como primeira parada foi estratégica. Young acredita que a operação local apresentará neste ano o melhor desempenho entre os integrantes do chamado Bric, grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China. “O Brasil está numa posição privilegiada nesta crise. E é nesses mercados, onde a economia ainda cresce, que precisamos ajustar nosso faturamento”, diz Young. “É importante, inclusive, aproveitar o momento para rever nosso modelo de negócios na Europa e nos Estados Unidos.”
O Brasil atrai cada vez mais investidores que buscam alternativas aos mercados desenvolvidos, em franca recessão. O economista inglês Jim O’Neill, que criou o termo Bric, acredita que o país tem uma posição privilegiada em relação aos demais emergentes. “O Brasil não apresentou nenhum sinal de crise real”, afirmou O’Neill a Época NEGÓCIOS. “Esta crise deixou claro que países com populações pequenas não têm alternativa de crescimento doméstico. O Brasil não tem esse problema.”
Vários executivos das maiores companhias do mundo acreditam que a economia brasileira, por estar sofrendo menos os efeitos da crise, tem o poder de aliviar o inverno financeiro que castiga mercados maiores e mais maduros, como os da Europa e dos Estados Unidos. A Alemanha, maior economia da União Europeia, pode encolher 8% neste ano. O Reino Unido está em recessão desde dezembro, algo que não se via desde 1946, ao final da Segunda Guerra Mundial. A expectativa é que a retração será de 2,8% neste ano. Nos Estados Unidos, espera-se uma queda entre 0,5% e 1,3%. A economia japonesa tem resultados negativos desde abril do ano passado, e estima-se que continuará encolhendo no primeiro semestre deste ano. Se confirmada a queda, serão 15 meses em marcha à ré, um dos piores resultados na história.