Goaa ॐ – Leia & Entenda

Politicomia – ECONOMIA & POLÍTICA

O império contra-ataca

fazer um comentário »

Parece que estamos voltando no tempo. Entre novas ameaças de epidemias e caos financeiros, estamos assistindo outra vez mais um capítulo da desgraçera que é a política pública nacional. Uma nova peste negra? Um novo crash de 1929? Um novo governo com velhas caras? Sarney e cia aprontando as suas denovo.

Em meus poucos anos de vida e outros poucos de interesse político, acho eu que nunca tinha ouvido falar tanta falcatrua política e administrativa em um Governo só. A figura ‘esquerdista’, hoje praticamente fantasiada e sem sentido/desgastada, fez do partido dos trabalhadores o principal intermediário entre a falta de controle e de ética. Sabemos que problemas com nossos parlamentares não são de hoje. Todos os Governos já tiveram os seus casos e acasos. Mas em dois mandatos como presidente da república, acho que nunca um Presidente ouviu tanto como Lula.

Para mais de um mês, corre pela imprensa nacional supostos casos de sonegação fiscal por parte da Estatal Petrobras. Esse caso gerou um baita nevoeiro no senado e na câmara, que por fim acharam que deveriam abrir uma comissão de inquerito parlamentar, ou, CPI. Mas quais seriam os reias motivos por trás desta onda em investigar uma estatal, capaz de movimentar bilhões por ano e ter em mãos uma das maiores riquezas do país? Será esses dois motivos suficientes?

Há o jogo da oposição em comprometer a figura do governo, mais uma vez, jogando rios de acusações na sua maior e principal fonte de empreendimento.

O brasileiro se identifica com a Petrobras. Os inquisidores da empresa correm o risco de serem tachados de entreguistas, de prejudicarem a empresa e, portanto, a imagem do Brasil no Exterior. É óbvio que o PSDB pretende usar a CPI para fazer barganha política nos bastidores, especialmente agora que estão em discussão as regras para a exploração do pré-sal. Em relação a 2010, não há nada mais poderoso do que acusar os tucanos de buscarem a privatização da Petrobras. No segundo turno de 2006, lembram-se? Lula, acusado de desperdício por ter comprado um avião presidencial novo, passou a dizer que Alckmin pretendia privatizar “até o avião da Presidência”.

Diante deste alvoroço todo, surge então a nomeação de José Sarney para a presidência do Senado Federal. Com muitos contras e certos prós, Sarney é a marca da evolução negativa em que se encontra o poder público brasileiro no momento. Com todo o respeito ao povo nordestino, mas ultimamente estão nos apresentando muita gente mal intensionada. É Sarney de volta. Collor também. Severinos e Ciros Gomes da vida. ACMs então nem se fala.

Com uma grande onda de opositores de um lado e uma mídia corrompida às vésperas de um ano eleitoral,  mais do que nunca Brasília está em chamas. Agora é Sarney, com apoio de Lula, sendo acusado e investigado. A Petrobras sendo usada como desvio de atenções na casa. E o tiroteio continua.

Sarney, que em tempos pós ditadura, na mesma época em que foi presidente, foi um dos inimigos de Lula e vice e versa. Agora, Lula se vê encrusilhado à defender Sarney para que o caos no plenário já termine em mais um escândalo enorme. Já basta a Petrobras, agora Lula não quer ver a bancada do senado com mais uma confusão. Também, antes de Sarney, Severino Cavalcante já aprontava as suas. O que seria diferente agora? Estamos muito bem de representantes…

Sarney é acusado de desvio de verbas, repassadas pela própria Petrobras, em uma assossiação beneficiente. Os recursos foram liberados com base na Lei Rouanet, que dá incentivos fiscais a quem investe em projetos culturais. A associação recebeu pelo menos R$ 3 milhões de estatais, e há outros projetos em análise. A Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, fundada e controlada pela família Sarney, ainda se beneficia de patrocínio estatal e repasse de incentivos fiscais.

Para escapar ainda das acusações, ou até mesmo desviar as atenções constantes, Sarney avisa que a CPI da Petrobras começará nesta Terça-feira próxima. A vontade de apurar alguma coisa da estatal passa longe. “Tanto ele (Sarney) como o governo contam com o recesso parlamentar, daqui a uma semana, para esfriar a temperatura da crise”, diz o Estadão. A base aliada julgou que, se não fosse aberta a CPI, o DEM e o PSDB não aceitariam votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Congresso não entraria em recesso na semana que vem. Pode ser um alívio para Sarney, mas temporário.

Os escândalos não são poucos e, já não bastasse a repercussão nacional, agora essa zona toda começa a ter dimensões externas. A série de escândalos no Senado chamou a atenção da prestigiada revista britânica The Economist, com uma reportagem cujo ácido título é “Casa dos horrores”. A publicação ainda zomba ao dizer que os parlamentares britânicos poderiam aprender com os colegas brasileiros – recentemente, o Parlamento de lá sofreu uma crise por conta de uso de dinheiro público para gastos supérfluos.

A revista se refere a José Sarney como um “sobrevivente” depois de tantas denúncias, citando a mansão de R$ 4 milhões não-declarada e, é claro, os atos secretos. E dá uma estocada em Lula. “Os escândalos fazem os brasileiros se lembrarem dos defeitos de alguns aliados de Lula, e da disposição dele de fechar os olhos para a crise quando lhe convém.”

Sinceramente, a figura do PT em tempos atuais já passou de ser aquela fantasia de mudança e prosperidade popular e trabalhadora que sempre correu junto à estrala solitária. Hoje não se vê mais isso. Nenhum partido neste país se vê como revolucionário ou capaz de promover algo que realmente mude as diretrizes dessa desordem toda. Vivemos submissos às essas figuras que, ao passar de longos anos, voltam e ainda continuam a ser noticiados da forma negativa. Nada justifica a ausência da pressão popular por mudança. O conformismo já faz parte da cultura pública deste país. Parece que só em anos de competições esportivas esse povo se diz patriota. Ao passo que a desgraça pública corroe toda a esperança da boa conduta ética na política, o brasileiro segue sua vida com suas prestações e empréstimos bancários absurdos, sendo que nada possa fazer a não ser se conformar e deixar o circo pegar fogo.

PACHECO, R.O.

Escrito por goaa

Julho 11, 2009 às 11:09 am

Publicado em Política

Etiquetado com , , , , ,

Deixe uma resposta