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Politicomia – ECONOMIA & POLÍTICA

2009

com 3 comentários

E suas perspectivas.

O ano de 2009, que começa sob tanto medo econômico, pode ficar na História como aquele em que se evitou a repetição da crise de 29. Se evitar, acabará com saldo positivo. O ectoplasma daquele ano terrível continua entre nós, as bolsas estão em frangalhos, depois da enorme perda de valor de 2008, a indústria automobilística americana está por um fio, mas a grande vantagem é que o mundo já conhece 1929. Por que teria de repetir, 80 anos depois, a mesma tragédia? Os economistas sabem o que aprofundou a crise e o que funcionou no combate a ela. Se as decisões forem tomadas de maneira coordenada e sábia, pode-se evitar o pior.

O governo americano será inteiramente renovado. Há, primeiro, o efeito psicológico. A economia precisa da confiança das pessoas, e um novo governo é sempre uma injeção de ânimo. Que bom que as democracias acreditam em alternância no poder! Há também o efeito das medidas concretas que a equipe de Obama está preparando. Agora, o governo americano jogará no ataque, tentando criar empregos, aumentando os investimentos públicos.

Alguns países perderam poder de fogo com a queda do preço do petróleo, e isso poderá trazer bons resultados. A Venezuela chavista terá que conter sua política expansionista na região, que tem sido um fator de perturbação na área onde está o Brasil. Temos recebido respingos dos governos financiados e insuflados por Chávez. Agora, o caixa do grotesco caudilho está bem mais magro. Do outro lado do planeta, a Rússia também foi abatida pela queda dos preços do petróleo. A disparada do produto havia turbinado as pretensões militares do país, que começaram na Geórgia e iriam adiante. A idéia era recriar a Grande Rússia.

A crise do fim de 2008 encerrou o período dos delírios. No Brasil, a disparada irracional dos preços dos ativos em bolsa criou uma falsa impressão de empresas inatingíveis, fez surgir milionários que nada produziam, permitiu que empresas sem ativos se alavancassem no mercado de capitais. O aumento da arrecadação permitiu ao governo aprovar gastos irracionais. As descobertas do pré-sal, com o petróleo a US$ 143, levaram a arrogância petrolífera ao ponto do ridículo. As reservas cambiais recordes fizeram o governo apostar numa improvável blindagem contra a crise mundial. Prefiro o pé no chão, o preço real dos ativos, a consciência de que o futuro se constrói com muito trabalho e não golpes de sorte. O fim do ano foi um banho de realidade para um governo que estava sendo atacado por um perigoso surto de grandeza. O país entra em 2009 consciente das suas forças e fraquezas na dimensão exata que elas têm.

Como sempre na vida, o ano terá momentos difíceis e boas surpresas. Mas um ano em que os economistas apelidaram de “perdido”, antes de ele começar, tem a vantagem de um nível de expectativa tão baixo que qualquer ganho será valorizado. Não há dúvida que será um ano em que o mundo crescerá menos. Mas pode ser, também, o ano que lançará pontes para o futuro.

Fonte: Trechos de um texto publicado pela jornalista Míriam Leitão – O Globo Online.

Escrito por goaa

Janeiro 1, 2009 às 11:44 pm

3 Respostas

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  1. dae pacheco! o blog tá responsa, mas chamar a mirian leitão de economista dói nó coração do gaudério! haha
    abraz

    eduardo de borba

    Janeiro 2, 2009 em 3:11 pm

  2. nao é jornalista que está escrito não cara? hahaha ou leu em outro lugar ou estás equivocado na sentença caro leitor.

    goaa

    Janeiro 2, 2009 em 4:48 pm

  3. estou equivocado haha

    diria mais, é um apreço velado que mantenho pela musa Mirian Leitão. Mea culpa! hahaha

    eduardo de borba

    Janeiro 2, 2009 em 6:22 pm


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