Cúpula da América Latina e do Caribe
É o Brasil convidando “parceiros” para o seu quintal, no qual cada um traz o seu facão.
Mais um sarcasmo, não vieram armado não. Pelo menos até aonde se sabe. Essa Cúpula foi a típica conduta da boa vizinhança que o Brasil tentou fazer sendo que alguns de seus objetivos foram ignorados justamente por levar essa conduta a sério demais. Nossos vizinhos podem ser malucos, ex-militantes e “esquerdistas”, mas burros só o Amorim que pensa.
Para o ministro do Exteriror, Celso Amorim, a grande vitória do encontro foi a ausência dos EUA, Espanha e Portugal. Países que representam muito no comércio mundial, independente da situação em que se encontram. Vê a ausência destes grandes e depois dá uma olhada na lista de convidados. E ainda sim, não conseguimos o que queríamos. Foi uma ausência importante mesmo ou era algum medo brasileiro de que a preeminência sugerida pelo Brasil pudesse ser batida com esses três gigantes desenvolvidos?
O Itamaraty não é pago para ser amigo ou inimigo de A ou B, mas para defender o interesse nacional; em vez disso, preferiu defender o conjunto de idéias e desejos de seus chefes, que há seis anos cedem tudo o que podem aos vizinhos de continente na premíscua esperança de um dia liderá-los numa frente em favor do bem universal. Mas a generosidade brasileira, sobretudo em relação aos países classificados como de “esquerda”, não deu certo – para eles, o Brasil não é generoso, tem apenas uma fraqueza de liderança ou até mesmo uma certa covardia, um pusilânime.
Diante as condições brasileiras na reunião, os países participantes tiveram seus contras. O Itamaraty queria que a cúpula eliminasse a cobrança dupla da Tarifa Externa Comum no comércio da região. Não conseguiu; o Paraguai não aceitou, e o chanceler Amorim, sempre disposto a entender tudo, disse que se fosse paraguaio também não iria aceitar. Queria que fosse aprovado um Código Aduaneiro. Também não conseguiu. Para encerrar, o Brasil se dispôs a dobrar sua contribuição, hoje na casa dos 70 milhões de reais, para um “Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul”, poço sem fundo do qual já é o maior contribuinte.
A Cúpula reflete a convicção dos países participantes de que o aprofundamento do diálogo e da cooperação regionais são imprescindíveis para a melhor inserção da região no sistema internacional. Não dá para entender as causas internacionais que o Brasil tenta nesses encontros se suas atitudes sempre buscam a cautela à retração. É uma sorte, realmente, que reuniões vitoriosas como essa da Costa do Sauípe não aconteçam a toda hora.

Fonte: Vida Real – J.R.Guzzo – Exame
PACHECO, R.O.