Archive for Novembro 2008
O caso Equador
Os dois lados lamentam o caso, porém ninguém quer ser o culpado.
A questão diplomática entre os dois países está começando a ecomodar. Temos mais com o que se preocupar. A recusa de pagar uma dívida que o próprio Rafael Correa diz ser questão financeira e não diplomática, faz do caso uma tempestade sem cabimento.
Os dois presidentes, Correa e Lula, dizem estar sentidos pelo caso porém nenhum dos dois lados entram em um acordo. Correa já avisou que não recuará no processo iniciado em um tribunal de Paris para deixar de pagar a dívida equatoriana com o BNDES, banco brasileiro. A imagem “patriota” que Correa passa é símbolo do político que busca através da intervenção estrangeira mais espaço dentro do país. Ele quer fazer do Brasil, ou da empreteira Odebrecht, os vilões de uma causa sem motivos. Ou pelo menos não ao ponto que chegou.
A ofensiva contra a Odebrecht deu-se apenas 5 dias antes de um referendo para um novo projeto de Constituição. Um ponto desta reforma é a possibilidade de que o presidente Correa permaneça por mais oito anos no poder. Ao atacar a empresa, Correa buscou aumentar sua popularidade com os eleitores, mostrando que colocava os interesses nacionais acima dos contratos com empresas estrangeiras.
No lado brasileiro, O Itamaraty ordenou o embaixador no Equador a retornar para o Brasil. A diplomacia tem várias formas de mostrar desagrado. E uma delas, muito significativa, é convocar de volta ao país o embaixador, o que fez o Itamaraty.
Esperamos que ambos os lados se resolvam e que acabem da maneira mais inteligente possível. Afinal de contas, dinheiro do BNDES é dinheiro público brasileiro.
PACHECO, R.O.
Banco do Sul
Um novo órgão multilateral para a crise.
Já faz um bom tempo em que países subdesenvolvidos se submetem à empréstimos altíssimos para os mais diversos fins. O dinheiro, é claro, não vai de graça. Em muitos casos, o empréstimo se torna em uma grande bola de neve acarretando em uma enorme dívida. A saída na maioria das vezes é dependência financeira e submissão às políticas liberalizantes exigidas como contrapartidas nesses acordos.
Daí a importância de consolidar um organismo financeiro para que os países sul-americanos possam recorrer a um órgão próprio em momentos como o atual. A importância é relativa aos interesses de cada país. O Brasil, por exemplo, exige uma autonomia maior na participação o que já gera alguma divergência.
Para o FMI, esse momentos de crise são grandes causas de atração para o fundo. Eles enxergam a crise como uma oportunidade. O que o FMI oferece como solução, na verdade é a causa da crise. Se o Brasil tem maior condição de aportar recursos, deve fazê-lo, em seu interesse e em interesse dos demais. Se não, vira um unilateralismo aos moldes do Bush, que determina a lógica que levou ao desastre que o mundo se encontra hoje.
Para Gabriel Strautman, secretário-executivo sobre instituições multilaterais da Rede Brasil, hà uma contradição no discurso do governo brasileiro. “Recentemente, o Brasil clamou por uma alteração nos organismos multilaterais, reivindicando maior poder de decisão para os países em desenvolvimento. No entanto, no Banco do Sul, eles defendem o mesmo modelo do Norte. Na construção do banco, tem que haver um esforço de solidariedade, se não vai ser um processo viciado de reprodução dos bancos do Norte”, afirma.
Um banco aos moldes do FMI seria importante no momento em que passa o mundo financeiro. De certa forma, o Brasil sente menos impacto e deveria por uma autoridade além dos demais. Nada que justifique o peso que é o EUA na FMI e no Banco Mundial, por exemplo (chega a ser 17% o peso do voto estadunidense nas instituições). O momento dos emergentes é bem signifiativos a nível global, e não seria tão ruim a união de certa parte deles para poder manter essa força até essa onda de crise passar.
O banco é uma boa solução para a construção de um mundo multipolar. Um FMI sul-americano ou um financiador da solidariedade?
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/banco-do-sul-um-fmi-sul-americano-ou-um-financiador-da-solidariedade
PACHECO, R.O.
GM, FORD E CHRYSLER
Ameaça real de ir à falência.
Depois de levar à falência grandes nomes do setor bancário do EUA, agora a crise começa a alcançar seus tentáculos a outros gigantes da economia estadunidense. Imagine um setor de prosperidade, de grandes movimentos trabalhistas, de lucros, inovação e poder aquisitivo. Algo que realmente pese na economia dos EUA. Agora, imagine isso tudo de joelhos, pedindo ajuda ao que sempre foi a pedra no sapato de grandes corporações americanas, o governo. Para quem sempre condenou a interferência estatal no mercado, agora vê esse paradigma liberal ultrapassado.
O turbilhão da crise acelera com rapidez incrível o problemão do maior ícone da supremacia industrial americana no século 20: as montadores de automóveis. Tanto a Ford quanto a GM, as duas maiores montadoras dos EUA, apresentam perdas inéditas. A grande GM, que durante 15 anos foi a maior empresa dos EUA em faturamento – de 1986 a 2000 – vale hoje menos que empresas brasileiras como a produtora de motores Weg. A Ford, o ícone de um modelo moderno do sistema industrial, valia no início de novembro, 4,4 bilhões de dólares, o mesmo que a Natura, e suas ações haviam caído 74% no último ano. Pode ser dizer que a Chrysler está “menos pior” diantes suas concorrentes, porém a demissão de 25% da força de trabalho, anunciada em outubro, indica que as coisas não vão nada bem.
Diante desse cenário de quedas bilionárias mundo à fora devido a crise, as montadoras já conseguiram um pacote de 25bi de dólares em ajuda governamental e querem outros 25bi nos próximos meses. A possíveis acordos entre as companhias que podem diminuir os estragos. A Ford e a Chrysler negociam uma fusão que criaria a maior montadora do mundo e a com a maior quantidade de problemas.
E com isso tudo, os emergentes aparecem denovo como uma opção de diminuir as grandes perdas das montadoras. O Brasil é um grande exemplo. Os últimos anos têm sido os melhores da história da indústria automotiva brasileira, com recordes de vendas sendo batidos a cada mês. Por isso, as líderes do mercado local fecharam o ano passado no azul, e o mesmo deve acontecer em 2008. O Brasil estava ajudando a diminuir as perdas da Ford e GM causadas pela crise.
A má notícia é que os tempos de euforia estão acabando por aqui também. O crédito no Brasil tende a ficar mais escasso com a crise financeira e as montadoras estão se preparando para um cenário de vendas menores.
E para piorar, o projeto de ajuda das companhias para tentar salvar suas fábricas foi, em primeira hora, rejeitado pelo congresso americano pois os mesmos acreditam que poderia ser algum plano sujo e que as companhias teriam sim, um dinheiro suficiente para sair da crise.
Os líderes do Senado e da Câmara dos Representantes (Deputados) americanos deram um prazo até 2 de dezembro para que as montadoras elaborem um plano de viabilidade para a liberação de US$ 25 bilhões em empréstimos. As empresas afirmam que correm o risco de falir, o que poderia fazer com que milhões perdessem seus empregos no país.
PACHECO, R.O.
A Crise
Crise
Já passa da metade do mês e sinais ainda mais inseguros sobre o momento do mundo financeiro continuam aparecendo. Tem quem ache melhor que o ano acabe de uma vez para que o próximo começe nas esperanças de um bom plano de governo de Obama e mais com as novas prespectivas sobre a crise. Se engana quem pensa que o ano será fácil.
Sinais claros de escuridão para o ano que vem já estão evidentes, e não é de hoje. Reino Unido, Alemanha, Japão, EUA, todos já anunciaram dados de recessão de suas economias no terceiro trimestre do ano. São grandes nomes do mundo econômico que abalam diretamente o resto do planeta.
Nessas semanas que passaram, ocorreram novos eventos importantes no cenário da crise. Tanto a nova ordem mundial do grupo do G20 quanto os grandes movimentos de pacotes para a salvação de economias, estão se tornando cada vez mais necessários. Em todo o canto do mundo, podemos ver situações de alto escalão de risco em diversos setores e em grandes corporações.
A GM já está em um momento difícil. O que antes era umas das maiores companhias dos EUA e do mundo, hoje é apenas mais uma a sofrer com a crise, ou seja, podemos dizer que, em situações como essa, tamanho não é documento. Demissões, queda nas vendas, produtividade baixa e sem prazo de aumento dos lucros. O mercado de automóveis estadunidense perde o poder. GM, Ford e Chrysler estão correndo o risco de quebrar lá fora por conta da recessão no país.
No Brasil, o que está havendo é apenas uma desaceleração, uma redução da marcha. As montadoras vão terminar o ano com vendas recordes. Antes, as vendas estavam crescendo a 25% ao ano. Agora, já se sabe que este ritmo não vai ser mantido.
Ainda no Brasil, o pior da crise foi a conseqüência dos derivativos cambiais de empresas exportadoras. São aqueles papéis em um mercado futuro de dólar. Isso espalhou muito prejuízo em empresa boa que vai agora reduzir investimentos.
O país vai crescer menos no ano que vem. Bens de alto valor, como carros, vão vender menos. É inevitável. Seria melhor o governo reduzir impostos, reduzir burocracia e favorecer todos os setores e contribuintes do que tentar manter a venda de um setor: de carros, no mesmo ritmo de antes.
PACHECO, R.O.
Tsunami; Katrina; 11/9; e agora, os emergentes.
O mundo é uma caixinha de surpresa.
Em 2001 aconteceu o que, pelo menos o que se sabe, o inesperado ataque no WTC. Foi um grande baque, não só na supremacia estadunidense mas também com o que se esperava da economia mundial. Bolsas caindo mundo à fora, milhares de mortos, recordes de prejuízos e algumas “conspirações” sobre o que de real aconteceu naquelas torres, marcaram o início do século XXI.
Passou o medo do terrorismo no começo da década e vieram o que chamaram de fenômenos naturais, o que de naturais não tem nada. Claro, a Tsunami foi algo imprevisível e realmente não tinha o que fazer. O Katrina foi em grande parte, dizem especialistas, um “fenômeno” causado pela astúcia humana de produzir gerando o que hoje não esta mais nas pautas de discurssão, o tal do aquecimento global.
Não está mais devido à mais um grande feito da estupidez humana: a ganancia. Ou seja, essa crise que esta derrubando economias mundo a fora e que esta sendo discutida para levantar o poder de produção e consumo, é mais importante que eventos que matam mais de 100mil pessoas numa cidade inteira (Katrina).
E essa mesma crise que está gerando um novo fenômeno. O peso dos emergentes nas discussões sobre o atual momento econômico mundial é algo que não se via (e não se imaginava). O poder do chamado G8 é indiscutível, mas a figura de países como o Brasil, China, Índia e outros esta criando um peso nas reuniões que nunca se viu. Para o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, “o G20 já tomou o lugar do G8 no FMI e no Banco Mundial.”
Países que sempre foram os atrasados do Hemisfério Sul agora ditam as regras na economia mundial. Uma influência que não deveríamos deixar escapar porque quando o poderio do G8 voltar meus amigos, saem de perto. É uma influência rara e difícil de manter, é óbvio. Mas para quem já chegou tão longe né…
Mas é claro que para se chegar em um acordo, ambas as partes devem se entender. A questão do protecionismo e as grandes barreiras comerciais ainda encomodam os menos favorecidos, digamos assim. Mas diante desse novo cenário, essas medidas estão com dias contados, pelo menos serão menos acentuadas. Ou o mundo entra em um consenso de produção regular de modo igualitário em todos os cantos do mundo, o que é possível, ou então ficamos como está, levando atitudes anti regulatórias que fazem do dinheiro um brinquedinho sem limite e chegando a absurdos que estamos vivendo hoje.
O mundo hoje espera desses figurões medidas enérgicas que, como outros grandes fenômenos, não passe apenas de grandes momentos tristes. Espera-se que medidas tomadas nessas reuniões, com aval de emergentes ou não, passe como uma grande Tsunami levando as cagadas já feitas.
PACHECO, R.O.
