Archive for Outubro 2008
Há um lado positivo
Entrevista.
A crise forçou os Estados Unidos a enfrentar os maus hábitos das últimas décadas. Quando o país se livrar deles, a dor de hoje resultará em ganhos.
A reportagem fala da possível virada da economia americana sobre a situação presente e, consequentemente, os possíveis ganhos (longo prazo) que poderá ser colhido desse grande buraco financeiro depois de superado. A seguir, acompanhe alguns trechos:
“Eles têm ferramentas potencialmente ilimitadas à disposição, especialmente se agirem em conjunto. Podem nacionalizar empresas, convocar feriados bancários, suspender pregões por semanas, comprar débitos e ações e renegociar hipotecas…” Segue: “…essas ferramentas têm efeitos de longo prazo que são problemáticos, mas eles não são nada comparados ao colapso do sistema financeiro”.
“O que vai ser necessário para interromper a queda? Quanto vai custar? Quanto tempo vai demorar para os planos de resgate começarem a dar resultado? Não se sabe…”
“Desde os anos 1980, os americanos consumiram mais do que produziram – e deram conta da diferença tomando emprestado. Duas décadas de dinheiro fácil e produtos financeiros inovadores significaram que praticamente qualquer um podia tomar dinheiro emrestado para qualquer próposito.”
Segurem-se: “O débito dos lares americanos saltou de US$ 680 bilhões, em 1974, para US$ 14 trilhões hoje. O endividamente dobrou nos últimos sete anos. O lar médio americano tem 13 cartões de crédito e 40% deles rolam dívidas – eram 6% em 1970.”
Sobre o ex presidente do FED, o economista Alan Greenspan: “Calote russo? Redução da taxa de juros. Bug do milênio? Redução da taxa de juros. O Nasdaq caiu? Redução da taxa de juros. A economia desacelerou depois do 11 de setembro? Redução da taxa de juros…” “Por fim, depois de dar esteróides ao mercado imobiliário, a estratégia criou nós grandes demais para desatar.”
“O Relógio da Dívida Nacional, em Nova York, não tinha mais lugar para mostrar os números. Os donos estão pensando em comprar um novo no ano que vem.”
“No curto prazo, todas as soluções para a crise atual pedem que os governos assumam mais dívidas e obrigações maiores. Isso é invevitável e necessário. Mas não quer dizer que os EUA deveriam, como defende alguns economistas, estimular a economia com mais cortes de juros. Isso seria apenas mais uma forma de deixar a festa continuar artificialmente.”
“É como pedir para um alcoólatra ir aos A.A no ano que vem, mas, enquanto isso, ele pode beber mais uísque. Um estímulo melhor seria anunciar e apressar grandes projetos de infra-estrutura e energia. Eles são investimentos não consumo, e podem causar um efeito diferente sobre as contas fiscais do país.”
“Ela será dolorosa para um país que se acostumou a ter tudo. Mas os americanos se tornarão mais fortes no longo razo. Se puderem aprender as lições certas com esta crise, os EUA mais uma vez jogarão pelas próprias regras. E isso não pode ser ruim.”
Fareed Zakaria é colunista e editor-chefe da edição internacional da revista Newsweek e escreve quinzenalmente em ÉPOCA.
Matéria publicada na edição de nº544 da Revista Época/OUTUBRO 2008
A marcha dos 100mil.
Bolivianos.
Um novo feito revolucionário ou apenas mais um sentimento nacionalista que termina em uma grande ditadura? É assim que consigo ver essa busca pelo acordo por uma nova constituição na Bolívia, comandada pelo então presidente boliviano Evo Morales. O presidente encabeçou uma grande marcha através do planalto boliviano em busca da aprovação do referendo para uma nova Constituição. Em frente ao palácio presidencial.
Aparentemente foi uma uma grande vitória por parte de Morales consolidar sua visão estatizante e indigenista. A jogada da passeada foi justamente para jogar uma certa pressão sobre o acordo, de uma forma mais pacífica possível.
Morales assumiu em janeiro de 2006 e pela atual Constituição, governaria até janeiro de 2011, sem direito à reeleição. O texto original da nova Carta Magna permitia a reeleição de Morales por duas vezes, com um eventual governo contínuo até 2019.
O acordo anunciado estabelece que o referendo sobre a nova Constituição será realizado em janeiro de 2009. Uma grande força populista criando forças na américa latina e buscando o máximo de hegemonia política possível. Nada melhor que arregaçar as mangas e ir à luta com o apoio popular. Jogada essa que já rendeu frutos ao próprio Evo e que, de tanta simpatia com os bolivianos, se vê no direito de continuar no poder mais do que exige a constituição.
Vamos esperar para ver o desenrolar da história até o dia do referendo popular e ver se Evo irá se contentar apenas com um mandato até 2014. E pensando bem, esta idéia de levar o povo às ruas não seria muito ruim. Claro, cada caso é um caso, mas umas atitudes assim, de grande mobilização popular, é que estaria faltando na nossa história política. O que não podemos é simplesmente deixar a banda passar, coisa que já se abituamos…Infelizmente.

Grupos pró-Morales realizam marcha a La Paz em apoio à realização de um referendo e à aprovação da Constituição
Pré-sal
O ouro-negro brasileiro.
Até pouco tempo atrás, fora alguns especializados no assunto e a grande cúpula da Petrobras, ninguém sabia sobre o tal do “pré-sal”. De uma hora pra outra, todos se vêem adeptos a opniar sobre essa nova descoberta. O que ‘alguns’ bilhões de dólares submarinos não faz, não é mesmo? Pois então, fora ideologias e certas burocracias, basta saber agora com quem ficará a administração desta nova riqueza.
Essa descoberta equivale a uma área de aproximadamente 800 mil metros que vai do litoral do ES até o de SC. É calculado em uma proporção gigantesca de petróleo para pelo menos uns 100 anos para frente. As reservas correspondem a uma demanda mundial atual por pelo menos mais cem anos, só que isso tudo, apenas para o Brasil. Que belo exemplo de exploração petrolífera de um país que insiste na produção de biocombustível. Não que seja errado a produção do nosso etanol, apenas que haja um bom uso de ambos os recursos.
Mas como será exlorado esse tesouro submarino e, sobretudo, quem vai ficar com as centenas de bilhões de dólares que serão retiradas do oceano ao longo dos próximos anos. A Petrobras? Uma nova estatal? As duas? Uma delas, ou ambas ou mais outras do ramo que lá já exploram? O presidente Lula já disse que esse petróleo não pode ficar nas mãos de meia dúzia e diz que essa riqueza pertence à um só dono: o povo brasileiro. O petróleo (Petrobras) sempre foi do governo, de quem comprou suas ações ou de empresas que dividem com ela o trabalho de exploração. Os demais aguardam.
Hoje, o Brasil não dispõem de uma tecnologia PRÓPRIA para a fabricação de equipamentos de plataformas na exploração do petróleo. Com certeza não. E para consegui-las, é claro, paga-se um preço bastante alto e pior, essa tecnologia vem de fora. Será que esse investimento não começaria já pelo aumento da dívida pública e/ou externa na obtenção desses recursos? Imagino que sim…
E o que eu acho o mais absurdo na questão do uso do dinheiro que será arrecadado com o “pré-sal”, é a ousadia de dizer que iriam resolver o problema da educação brasileira. Mais ou menos como se pretendeu resolver o problema da saúde com a CPMF. Se o governo federal vai arrecar para cima de 700bi de reais neste ano e não consegue melhorar a educação em nada, por que conseguiria algum sucesso repentino jogando mais verna em cima do problema? O dinheiro do pré-sal vale a mesma coisa que qualquer outro: não faz mágica.
Só de dinheiro que é mandado ao governo pela Petrobras e suas distribuidoras, a soma chega a passar dos 45 bilhões de dólares. Se todo esse dinheiro, ou parte dele, vai ou não para a educação, é responsabilidade do governo. Ninguém mais é responsável pela gestão do sistema educacional brasileiro e, se a gestão é incopetente como realmente é, não há pré-sal que resolva.
PACHECO, R.O.
Correa expulsa empreiteira brasileira
Desculpa nacionalista.
O cenário era de caos. Quatro obras da empreiteira haviam sido ocupadas pelo Exército equatoriano, seus bens embargados e quatro executivos responsáveis pela operação estavam proibidos de deixar o país. A empresa acabara de ser expulsa do Equador pelo presidente Rafael Correa. O presidente Correa passou a acusar a Odebrecht de negligência na execução da obra e a exigir o pagamento de uma indenização. Em plena obras de infra-estrutura no Equador, o presidente equatoriano exige uma retirada imediata da empreiteira brasileira de seu território alegando certa negligência.
A Odebrecht é a cabeça de uma das maiores obras do país, responsável por uma construção de uma usina hidrelétrica única no mundo junto com uma outra empresa francesa e austríaca. A usina de San Francisco gera energia suficiente para abastecer 12% do consumo do Equador. Segundo a Odebrecht, a explicação para a sucessão de problemas teria sido o aumento da quantidade de sedimentos na água do rio Pastaza em decorrência de um vulcão próximo à usina.
A questão fundamental do post não é a briga que aflige os dois lados. A invasão e as altas multas contra a Odebrecht foi um pretexto que faltava para ser acionado o lado “nacionalista” do presidente Correa. “É evidente que houve interesse político na ocupação de nossas obras”, diz um dos vice-presidentes da Odebrecht.
A tese de que a invasão não passou de uma manobra política de Correa ganha forças ao perceber o momento em que passa o Equador. A ofensiva contra a empreiteira brasileira deu-se apenas 5 dias antes de um referendo para um novo projeto de Constituição. Um ponto desta reforma é a possibilidade que o presidente Correa permaneça por mais oito anos no poder. Ao atacar a empresa, Correa buscou aumentar sua popularidade junto aos eleitores, mostrando que colocava os interesses nacionais acima dos contratos com empresas estrangeiras. E isso tudo devido às denúncias feitas por concorrentes sobre a a proximidade do Presidente com a empresa brasileira.
No domingo, dia 28 de setembro, o projeto da nova constituição de Correa foi referendado pela população equatoriana com 64% de aprovação. Só para constar, além da usina de San Francisco, a Odebrecht tem outras quatro obras em andamento no Equador somando um investimento de quase um bilhão de dólares. O faturamento da empresa brasileira corresponde a 75% de contratos internacionais.
PACHECO, R.O.
Um por todos e todos por um! Será mesmo?
América com um só braço, o esquerdo!
Do norte ao sul temos referências quase que iguais no poder dos estados latinos americanos. Venezuela, Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina também, Chile…se não todos, pelos menos a grande maioria do poder polítio sulamericano hoje é de centro-esquerda. Não seria um bom momento dos sempre tão esquecidos latinos no cenário mundial? Um fator que seria relevante para o seu trabalho em conjunto, tanto no Mercosul quanto em outros acordos bilaterais, é essa ideologia compartilhada de certa forma pela massa mandante do continente, o que não seria nada mal certo? Certo, mas não é o que se vê…
Na Venezuela, temos o maluco do Hugo Chavez que faz de tudo para chamar a atenção. E às vezes, da pior forma. Ultimamente, ele está se envolvendo com compras de armamento bélico com a Rússia. Vamos esperar para ver o que Chavez tem em mente com esses acordos. Em relação ao seu país visinho, nosso Brasil, até pouco tempo atráz, quando a tão preocupante crise dos alimentos esquentava a cabeça do mundo inteiro, Chavez veio contra o Brasil e culpo o país do tupiniquim por usar grandes proporções de terras para a produção do etanol. Antes usadas para a produção de alimentos. Coisa que até então era para ser a salvação mundial contra a poluição, o biocombustível está se tornando o vilão dessa guerra.
O Paraguai, em tempos de eleição para presidente, mostrou-se preocupado em relação aos megawatts produzidos pela mega usina hidrelétrica de Itaipu. Seu principal candidato e atual presidente, Fernando Lugo (Lugo – Lula e Hugo, não?) acentua a questão da energia mandada ao Brasil como uma das principais vilãs do país guarani. Lugo se comprometeu a aumentar as taxas de impostos que são cobradas às energias que são consumidas no Brasil e se propôs a segurar no Paraguai, cerca de metade do valor da usina. Ou seja, o Paraguai queria 50% de posse da usina sendo que mais de 90% dela foi paga pelo Brasil. Pagamento pelo qual, podemos ver hoje na nosso dívida externa.
Na Bolívia a coisa é mais séria. Desde que a Petrobras começou a se expandir pela América latina inteira, houve quem dissesse que poderia ocorrer uma certa hegemonia por parte da estatal brasileira dentro de outros países, e foi isso que o então presidente boliviano Evón Morales questionou. Em um curtíssimo espaço de tempo, Morales, de uma forma radical, estatizou parte da estatal transformando-a em patrimônio de seu gorverno. A Petrobras, a maior empresa na Bolívia, com investimentos de US$ 1,5 bilhão no país, aceitou negociar seu contrato com o governo de La Paz depois da nacionalização, cujo decreto deu 180 dias para as companhias petrolíferas revisarem os acordos e determinarem seu futuro em solo boliviano. Morales tocou ainda no tema de expropriação de terra, especialmente as improdutivas, medida essa que afetaria os agricultores brasileiros produtores de soja. “Há algumas empresas brasileiras que estão assentadas ilegalmente na Bolívia”, citando entre elas a siderúrgica EBX, recentemente expulsa da Bolívia. “Essas companhias não respeitam fronteiras. Não têm registro ambiental no Brasil e vem ao país (Bolívia) e se apropriam de terras”, destacou.
Sobre a Argentina, um dos principais parceiros econômicos do Brasil, é preciso entender que eles vêm de uma crise assustadora do começo da década e estão, pelo menos tentando, amenizar os estragos. Cristina Kirchner, atual presidenta da Argentina, suspendeu as exportações de trigo para o Brasil até pouco tempo atrás. Atitude essa questionada pelo lado brasileiro que, em medidas radicais, se viu obrigado a contornar a situação e buscar trigo principalmente do Canadá e EUA. Os grandes aumentos de tributos sobre as exportações dos setores agrícolas foram um dos motivos. Motivos esses que geraram grandes aglomera~ções em protesto a esse aumento.
Não seria mais certo, em vez de acharem motivos para se confrontar entre si, a união dessas ideologias políticas em pró do desenvolvimento de um continente tão esquecido do resto do mundo? A base ideológica não poderia ajudar nessas horas? A princípio estamos vendo que não. Vamos esperar para ver o que outras atitudes como essas irão acontecer e quais serão suas consequências.
PACHECO, R.O.


